- O novo cargo chega como um saldo positivo dessa trajetória e coloca Marotti no comando geral de uma casa que já conquistou dois importantes reconhecimentos internacionais.
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Uso de inteligência artificial
avança nas organizações, enquanto exposição de informações sensíveis pressiona
empresas a rever regras de acesso, segurança e governança
A
inteligência artificial avançou mais rápido do que as regras criadas para
controlá-la dentro das empresas. Em um ano, a parcela de usuários que acessam
aplicações de IA semanalmente passou de 34% para 59%, segundo levantamento da
Netskope. No mesmo período, o volume médio de prompts mais que triplicou.
Com a tecnologia mais presente na rotina das organizações,
a discussão começa a ir além da adoção. O avanço amplia a
necessidade de identificar quais dados estão sendo utilizados, quem pode
acessá-los e o que acontece com essas informações quando são inseridas em
ferramentas de inteligência artificial.
De acordo com André Xavier, CEO da BHS, empresa de
tecnologia e segurança da informação com mais de três décadas de atuação,
parte do risco está justamente no uso cotidiano dessas ferramentas. “O risco
aparece quando o profissional usa uma ferramenta para ganhar produtividade, mas
não sabe o que acontece com aquela informação depois que ela é inserida ali”,
afirma o executivo.
A falta de governança
não é um problema restrito ao Brasil. O
relatório Cost of a Data Breach 2025, da IBM e do
Ponemon Institute, mostrou que 63% das organizações analisadas que sofreram
violações de dados não tinham uma política de governança de IA ou ainda estavam
desenvolvendo uma. Entre as empresas que registraram incidentes de segurança
relacionados à IA, 97% disseram não contar com controles adequados de
acesso à tecnologia.
A preocupação aumenta quando a IA deixa de ser utilizada
apenas em ferramentas isoladas e passa a se conectar aos sistemas e às bases de
dados das próprias empresas. Nesse estágio, incorporar novas aplicações também
exige definir como elas acessam e utilizam informações acumuladas ao longo de
anos de operação.
Para Paulo Cacciari, CEO da Deyel no Brasil, plataforma
de desenvolvimento low-code com inteligência artificial, a modernização precisa
considerar a preservação desses dados. “Muitas organizações utilizam essas
tecnologias há décadas e enfrentam o
desafio de modernizar seus sistemas sem comprometer informações críticas para o negócio. Nossa proposta é justamente
facilitar essa transição”, afirma.
Em setores regulados, essa preocupação ganha peso
adicional. Instituições financeiras operam sob exigências específicas de proteção
de dados e respondem tanto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) quanto ao
Banco Central. Nesses casos, um vazamento não representa apenas um incidente
técnico: pode envolver responsabilidades regulatórias, contratuais e
reputacionais.
Ainda assim, a pressão por produtividade faz com que a IA
avance sobre atividades que dependem do acesso a dados corporativos antes que
todas as empresas tenham regras consolidadas para esse uso.
IA avança sobre dados corporativos
O desafio também aparece quando a tecnologia passa a
consultar informações compartilhadas entre diferentes áreas da organização.
Contratos são um exemplo: concentram condições comerciais, obrigações, dados de
fornecedores e registros utilizados por jurídico, compras, suprimentos e
operações.
Nesse caso, o controle deixa de envolver apenas o acesso
ao documento original. À medida que ferramentas de IA passam a localizar,
relacionar e apresentar dados desses arquivos, cresce também a necessidade de
organizar como essas informações circulam dentro dos sistemas.
Segundo Cíntia Oliveira, country manager da Webdox no
Brasil, empresa especializada em gestão do ciclo de vida de contratos, esse é
um dos pontos que ganha importância conforme a tecnologia entra nesses
processos. “A inteligência artificial é um componente importante desse
processo, mas o principal avanço está na capacidade de
integrar essas informações e oferecer rastreabilidade, governança e acesso
rápido aos dados ao longo de todo o ciclo contratual”, afirma.
Para Xavier, essa mudança tende a separar iniciativas
pontuais de projetos capazes de ganhar escala. “Durante muito tempo, a pergunta
foi o que a inteligência artificial conseguia fazer. Agora, as empresas também
precisam perguntar com quais dados ela está fazendo isso, onde essas informações
estão e
quem consegue acessá-las. É essa estrutura que permite transformar a
experimentação em operação”, finaliza.
Entender os fatores por trás da acne persistente e evitar erros na
rotina de cuidados pode ser o primeiro passo para controlar as lesões e
prevenir manchas e cicatrizes
*Lucas Penteado
Uma espinha aparece, melhora e, poucos dias
depois, outra surge praticamente no mesmo lugar. Para algumas pessoas, esse
ciclo deixa de ser um episódio ocasional e passa a fazer parte da rotina. A
chamada acne persistente pode continuar mesmo depois da adolescência e, em
determinados casos, permanecer por anos, exigindo uma abordagem que vai além de
simplesmente tentar secar cada nova lesão.
Embora seja frequentemente associada à
oleosidade da pele, a acne é uma condição multifatorial. Produção excessiva de sebo,
obstrução dos poros, inflamação e ação de microrganismos presentes naturalmente
na pele estão entre os mecanismos envolvidos. Fatores hormonais também podem
ter participação importante em alguns pacientes.
Por isso, quando as espinhas continuam surgindo
apesar de uma rotina de skincare aparentemente adequada, o problema pode não
estar necessariamente na falta de cuidados, mas na forma como eles estão sendo
realizados, ou na necessidade de um tratamento específico para aquele quadro.
1. Entenda que nem toda acne
é igual
Cravos, pequenas espinhas inflamadas e lesões
profundas e dolorosas podem fazer parte da acne, mas não necessariamente exigem
a mesma abordagem.
A intensidade, a localização, a frequência das
crises, a presença de cicatrizes e até a idade em que as lesões aparecem ajudam
a determinar o tratamento mais adequado. É justamente por isso que reproduzir a
rotina de skincare de outra pessoa nem sempre funciona.
Quando as lesões são frequentes, dolorosas,
deixam marcas ou não melhoram com os cuidados habituais, a avaliação
dermatológica se torna especialmente importante.
2. Cuidado com o excesso de
produtos
Na tentativa de eliminar as espinhas
rapidamente, é comum adicionar vários produtos à rotina ao mesmo tempo. Ácidos,
esfoliantes, sabonetes adstringentes e fórmulas secativas podem parecer uma
combinação eficiente, mas exagerar nos ativos pode provocar irritação e
comprometer a barreira da pele.
Uma pele irritada não significa necessariamente
que o tratamento esteja funcionando. Ardência intensa, descamação excessiva e
vermelhidão persistente podem ser sinais de que a rotina precisa ser revista.
Em vez de acumular produtos, uma rotina mais
simples e consistente tende a facilitar tanto a adaptação da pele quanto a
identificação do que realmente está trazendo resultado.
3. Não abandone a hidratação
por causa da oleosidade
Um dos mitos mais comuns envolvendo a acne é
acreditar que pele oleosa não precisa de hidratação.
Oleosidade e hidratação, no entanto, são
características diferentes. Mesmo uma pele que produz bastante sebo pode
apresentar a barreira cutânea sensibilizada, especialmente durante tratamentos
que utilizam determinados ativos dermatológicos.
A escolha deve priorizar produtos adequados ao
tipo de pele e, quando indicado, fórmulas não comedogênicas. O objetivo não é
deixar o rosto completamente seco, mas manter uma rotina equilibrada que ajude
no tratamento sem aumentar desnecessariamente a irritação.
4. Resista à vontade de
espremer as espinhas
Pode ser difícil ignorar uma espinha inflamada
no meio do rosto, principalmente quando ela permanece visível por vários dias.
Espremer a lesão, porém, pode aumentar a inflamação e favorecer o aparecimento
de manchas e cicatrizes.
Lesões profundas merecem ainda mais atenção.
Além de não serem facilmente removidas pela manipulação, podem provocar danos
maiores à pele quando pressionadas repetidamente.
Quando a acne deixa marcas com frequência,
controlar as novas lesões passa a ser tão importante quanto pensar
posteriormente em tratamentos para as cicatrizes.
5. Observe os padrões das
crises
Quando a acne insiste em voltar, prestar atenção
ao momento em que as crises acontecem pode fornecer informações importantes.
Há pessoas que percebem piora recorrente em
determinados períodos do mês, enquanto outras identificam lesões concentradas
em regiões específicas ou depois de mudanças na rotina. Cosméticos, produtos
capilares, suor, atrito constante e outros fatores também podem interferir em
determinados quadros.
Isso não significa que seja necessário encontrar
sozinho uma única causa para a acne. Na maioria das vezes, não existe apenas um
responsável. Registrar quando as lesões aparecem e como evoluem, entretanto,
pode ajudar na avaliação profissional.
6. Dê tempo para o tratamento
funcionar
Outro desafio de quem convive com acne
persistente é a ansiedade por resultados rápidos. Quando a melhora não aparece
em poucos dias, surge a tentação de abandonar um produto e começar outro.
O tratamento da acne, porém, normalmente exige
consistência. Dependendo do quadro, dermatologistas podem utilizar diferentes
opções terapêuticas, como retinoides tópicos, peróxido de benzoíla, ácido
salicílico e ácido azelaico. Em casos específicos, medicamentos orais ou
terapias hormonais também podem ser considerados.
A escolha depende da avaliação individual e
alguns tratamentos podem provocar um período inicial de adaptação. Por isso,
trocar constantemente de produtos ou recorrer à automedicação pode dificultar o
acompanhamento da evolução.
*Lucas Penteado é Fundador da
Piny, marca brasileira de skincare que combina tecnologia e dermocosméticos
para oferecer rotinas de cuidado mais simples, eficientes e direcionadas.
Neuropsicóloga Anna Flávia Trindade conversou com frequentadores do shopping sobre emoções, sinais de alerta e a importância da busca por ajuda
A Clínica Vittá realizou, nesta sexta-feira (25), uma ação de conscientização sobre saúde mental aberta ao público, no Terraço do Buriti Shopping, em Goiânia, com a participação da neuropsicóloga Anna Flávia Trindade. A iniciativa integrou as ações do Setembro Amarelo, campanha dedicada à valorização da vida e à promoção do cuidado emocional.
Durante a atividade, Anna Flávia Trindade conversou com frequentadores do shopping sobre a importância de cuidar da saúde mental, reconhecer mudanças emocionais e observar sinais que podem indicar sofrimento psicológico, como ansiedade, angústia e esgotamento.
A especialista destacou a importância da escuta, do diálogo e do acolhimento como caminhos para fortalecer o cuidado emocional e incentivar a busca por ajuda profissional quando necessário.
A programação contou com uma dinâmica de interação com o público, em que os participantes receberam frases relacionadas à saúde mental e foram convidados a compartilhar suas percepções.
A partir dessas reflexões, Anna Flávia trouxe orientações sobre sentimentos, comportamentos, autoconhecimento e estratégias de cuidado.
Também foram distribuídos materiais informativos e brindes, criando um espaço de conversa e conscientização para as pessoas que circulavam pelo local.
A ação reforça a importância de ampliar o acesso à informação sobre saúde mental e levar o tema para espaços públicos, aproximando a população de orientações que podem contribuir para a prevenção e o cuidado emocional.
No Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, cardiologista explica por que idade, boa forma e prática de exercícios não eliminam completamente o risco e aponta sinais que não devem ser ignorados
As doenças cardiovasculares, frequentemente associadas ao envelhecimento, também têm atingido adultos jovens. Levantamento baseado em dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) contabilizou 26.845 internações por infarto agudo do miocárdio em brasileiros com menos de 40 anos entre 2020 e 2024. A maior concentração ocorreu na faixa dos 30 aos 39 anos, e o estudo identificou tendência de crescimento das hospitalizações no período.
No Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, o cenário chama atenção para fatores de risco que começam a aparecer cada vez mais cedo. Segundo o cardiologista cooperado da Unimed Goiânia, Tarik Arcoverde, hipertensão arterial, alterações do colesterol, obesidade, tabagismo, sedentarismo e alimentação inadequada estão entre os principais problemas observados. O consumo de álcool e outras drogas e o uso de esteroides anabolizantes sem indicação também entram nessa lista.
Mas nem todos os eventos cardiovasculares em pessoas jovens estão relacionados aos fatores de risco tradicionalmente conhecidos. É justamente por isso que casos envolvendo pessoas aparentemente saudáveis e até fisicamente ativas costumam chamar atenção.
“Ser jovem e ter hábitos saudáveis não exclui a possibilidade de um evento cardíaco. Nessa faixa etária, muitas vezes a causa não é a doença das artérias, como ocorre com maior frequência em pessoas mais velhas, mas doenças cardíacas estruturais congênitas ou hereditárias, arritmias primárias e miocardites. Algumas podem permanecer completamente silenciosas até o primeiro evento e, em determinados casos, a própria morte súbita pode ser a primeira manifestação”, explica Arcoverde.
Atividade física exige atenção aos sinais
A prática regular de exercícios permanece como uma das principais aliadas da saúde cardiovascular. Para quem pretende realizar atividades de maior intensidade, no entanto, o médico orienta atenção à condição individual e recomenda avaliação pré-participação esportiva, especialmente para identificar situações que possam representar risco.
A consulta envolve avaliação clínica e, quando necessário, exames complementares definidos pelo profissional. Progressão gradual da intensidade e do volume dos exercícios, escolha de uma atividade compatível com o condicionamento físico e utilização de equipamentos e ambientes adequados também fazem parte dos cuidados.
Alguns sinais durante ou após o exercício merecem atenção. Dor no peito durante o esforço, desmaio, palpitações, falta de ar ou cansaço desproporcional à atividade habitual, tonturas persistentes e queda de rendimento sem explicação não devem ser minimizados.
“Embora eventos cardíacos graves possam acontecer sem aviso prévio, esses sintomas precisam ser valorizados, inclusive entre os mais jovens. Um desmaio durante o exercício, por exemplo, é algo que precisa ser investigado”, reforça o cardiologista.
Histórico familiar também conta
Mesmo entre pessoas com alimentação equilibrada e rotina de exercícios, a história familiar pode revelar riscos que não são modificados pelos hábitos de vida. Morte súbita inexplicada em parente de primeiro grau antes dos 50 anos, infarto precoce, cardiomiopatias e presença de marcapasso ou desfibrilador em familiares jovens estão entre as informações que devem ser relatadas durante uma avaliação médica.
A prevenção, segundo Arcoverde, deve começar ainda na infância e adolescência, com alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso e distância do cigarro, incluindo os dispositivos eletrônicos. Mais do que buscar um exame isolado, porém, ele ressalta a importância da avaliação clínica individualizada.
“Não existe um único exame que vá nos dar todas as respostas. Muitas vezes, uma consulta bem detalhada, associada a um eletrocardiograma e exames laboratoriais, consegue identificar alterações. Em outras situações, exames mais aprofundados podem ser necessários, e essa indicação deve ser feita pelo médico após a avaliação”, explica.
O cardiologista reforça ainda que a mensagem não deve ser de receio em relação à prática esportiva, mas justamente o contrário. “O condicionamento físico e a capacidade aeróbica estão diretamente relacionados à saúde cardiovascular. O exercício é uma ferramenta fundamental de prevenção e não existe idade para começar. O importante é praticá-lo com segurança, respeitando a condição individual e mantendo o acompanhamento de saúde”, conclui.
Os foliões que desejam viver o Carnaval do Recife com conforto e exclusividade já podem garantir seu ingresso na pré-venda do Camarote Marco Zero, edição 2027, lançada nesta terça-feira (8). Localizado no Palácio do Comércio, no coração do Recife Antigo, o espaço oferece a melhor vista para os shows e as atrações do palco principal.
O prédio histórico, que recentemente passou por uma revitalização da fachada, será novamente cenário de uma das experiências mais exclusivas da folia recifense. Com localização estratégica, o camarote reúne estrutura, serviços e comodidades para quem deseja aproveitar a programação do Marco Zero sem abrir mão do conforto.
Durante a pré-venda, os ingressos estão disponíveis a partir de R$ 490 e incluem open bar premium, atrações internas, a melhor varanda do Carnaval, agora ampliada, segurança privada e acesso exclusivo pela Rua do Bom Jesus.
A expectativa é de que o Camarote Marco Zero esteja entre os espaços mais procurados durante o Carnaval 2027, oferecendo ao público uma experiência diferenciada em um dos principais polos da festa.
Os ingressos da pré-venda do Camarote Marco Zero, edição 2027, estão disponíveis pelo site www.camarotemarcozero.com.br. Mais informações podem ser acompanhadas no Instagram oficial @camarotemarcozero.
Avanço dos agentes digitais muda a divisão de tarefas nas empresas e pode ajudar a reduzir a sobrecarga que afeta a rotina das equipes
A cada dois minutos, um profissional é interrompido no trabalho por uma reunião, um e-mail ou uma mensagem, segundo o Work Trend Index 2025, da Microsoft. Esse excesso de interrupções ajuda a explicar por que a discussão sobre produtividade deixou de girar apenas em torno de fazer mais em menos tempo: com o avanço dos agentes de inteligência artificial, as empresas passam a olhar também para uma questão mais humana, como usar a tecnologia para reduzir a sobrecarga e devolver às equipes tempo para pensar, criar e se relacionar.
É nesse cenário que ganham espaço os chamados funcionários digitais. Em vez de substituir profissionais, esses sistemas assumem parte do trabalho operacional, sobretudo tarefas repetitivas, previsíveis e que consomem horas da jornada, enquanto as pessoas permanecem no centro das decisões, das relações e das atividades que dependem de experiência e julgamento.
A mudança acontece justamente quando o burnout ganha cada vez mais espaço nas discussões corporativas. Para a Organização Mundial da Saúde, a síndrome está ligada ao estresse crônico no ambiente de trabalho que não foi administrado adequadamente, e se manifesta por exaustão, distanciamento em relação ao trabalho e queda na eficácia profissional. A tecnologia, por si só, não resolve esse problema, mas pode ajudar a reduzir uma das principais fontes de desgaste: o volume de tarefas que fragmentam a rotina e deixam pouco espaço para o trabalho de maior valor.
Boa parte da rotina corporativa é feita de pequenas atividades que, isoladamente, parecem simples: atualizar sistemas, organizar informações, classificar solicitações, fazer acompanhamentos, responder demandas recorrentes, preparar relatórios, registrar dados. Sozinhas, elas não impressionam, mas repetidas todos os dias acabam consumindo uma fatia significativa do tempo de trabalho.
É justamente nessa camada que os agentes digitais atuam. A diferença em relação às ferramentas tradicionais de automação está na capacidade de executar uma sequência de ações a partir de regras e objetivos definidos: o sistema identifica uma solicitação, organiza as informações necessárias, realiza uma etapa operacional e encaminha ao profissional apenas o que exige análise ou decisão. Em vez de percorrer sozinho todas as etapas de um processo, o funcionário passa a atuar nos pontos em que sua participação realmente faz diferença.
Para Abraão Osher, CEO da DNAfy, empresa especializada em IA humanizada, essa transformação não deve ser lida como uma corrida para substituir profissionais.
"O objetivo não é colocar uma máquina no lugar de uma pessoa, e sim colocar a tecnologia ao lado dela. Existem tarefas que não precisam da capacidade humana para serem executadas, mas existem decisões, relações e problemas complexos que dependem de pessoas. Quando conseguimos separar essas duas coisas, o profissional deixa de gastar energia com o que é repetitivo e passa a se dedicar ao que realmente exige sua experiência", afirma.
O impacto dessa reorganização aparece justamente nas atividades que não constam da descrição formal do cargo, mas ocupam boa parte do expediente: mensagens, atualizações, cobranças, registros e reuniões que fragmentam a atenção e dificultam a concentração em projetos mais complexos. O problema raramente está em uma tarefa isolada, e sim no acúmulo delas ao longo do dia, algo que o próprio Work Trend Index 2025 confirma ao apontar o crescimento das comunicações fora do horário comercial.
Diante disso, a pergunta relevante deixa de ser "quantas tarefas uma ferramenta consegue executar" e passa a ser "quais delas ainda precisam ser feitas por uma pessoa".
Um vendedor, por exemplo, pode deixar para um agente o acompanhamento de contatos e a atualização de informações, concentrando sua atenção nas conversas que exigem negociação; em uma área administrativa, o sistema pode organizar dados e preparar documentos, liberando o funcionário para analisar os resultados; no atendimento, pode cuidar das demandas mais previsíveis e encaminhar à equipe as situações mais complexas. O ganho, portanto, não está necessariamente em reduzir o número de pessoas, mas em mudar o tipo de trabalho que elas realizam.
A inteligência artificial não substitui o fator humano
A ideia de que agentes digitais podem assumir parte da operação ajuda a separar dois debates que costumam aparecer misturados, automação e substituição de profissionais. São conceitos diferentes: mesmo quando um sistema executa uma tarefa de ponta a ponta, ainda é preciso definir objetivos, estabelecer limites, acompanhar resultados e decidir o que fazer diante de situações fora do padrão. Quanto mais sensível ou complexo o processo, maior tende a ser a importância da supervisão humana.
Relacionamento com clientes, liderança, negociação, criatividade, interpretação de contexto e tomada de decisões estratégicas continuam dependendo de competências que não cabem em uma sequência de comandos.
"Estamos falando de uma mudança na divisão do trabalho, não no fim do trabalho humano. A tecnologia pode executar, mas alguém precisa definir o que deve ser feito, avaliar se aquilo faz sentido e assumir a responsabilidade pelo resultado. O profissional ganha relevância justamente porque passa a dedicar mais tempo às atividades em que sua capacidade de julgamento faz diferença", explica Osher.
Os dados do levantamento reforçam essa transformação: entre os usuários pesquisados pela Microsoft, 66% afirmam que o uso de agentes permite dedicar mais tempo a trabalhos de maior valor. Entre os usuários mais avançados, esse percentual chega a 80%.
Adotar uma nova ferramenta, por si só, não garante uma rotina mais saudável. Se a empresa automatiza uma tarefa mas mantém o mesmo volume de reuniões, cobranças, interrupções e metas, a sobrecarga continua existindo, o que reforça a importância de identificar quais atividades são de fato repetitivas, quais exigem conhecimento humano e em que pontos uma aprovação é indispensável antes de delegar a execução à tecnologia.
"Se usarmos a tecnologia apenas para fazer as pessoas trabalharem mais rápido, estaremos aproveitando uma parte muito pequena do seu potencial. O mais interessante é dar às pessoas mais tempo para pensar, criar, resolver problemas e se relacionar. A tecnologia deve ampliar a capacidade humana, não tornar o profissional dispensável", conclui Osher.
Especialista explica que a indicação de uso deve considerar o tipo de endometriose, os sintomas e as características de cada paciente
Cerca de uma em cada dez mulheres brasileiras convive com a endometriose, segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE). A doença, caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, pode provocar dor pélvica, cólicas intensas e desconforto durante as relações sexuais, além de impactar a qualidade de vida.
Entre as opções para o controle dos sintomas estão os tratamentos hormonais e, desde 2025, o DIU liberador de levonorgestrel passou a integrar as opções incorporadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com endometriose que apresentam contraindicação ou não adesão aos contraceptivos orais combinados.
De acordo com o ginecologista e obstetra da Clínica Ginelife, Dr. Marcos Tcherniakovsky, diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), os anticoncepcionais hormonais estão entre as alternativas de primeira linha para o tratamento da doença, podendo ser utilizados em diferentes apresentações, como comprimidos, vaginais, injetáveis, implantes e DIUs hormonais. Analgésicos e anti-inflamatórios também podem fazer parte da estratégia para controle da dor. “Não existe uma alternativa única ou a melhor alternativa. A melhor é aquela que se adapta a cada mulher”, explica.
Entre os DIUs hormonais que liberam levonorgestrel, há 2 opções com diferentes dosagens. Para pacientes com endometriose, segundo o especialista, o de maior dosagem (52mg) é o mais indicado por conseguir brecar o ciclo menstrual com maior facilidade e por ter maior capacidade de reduzir a dor.“Quanto menos a mulher com endometriose menstruar, melhor. Quanto mais menstruar, pior”, afirma.
O dispositivo atua principalmente de forma local no útero, promovendo atrofia do endométrio e reduzindo a ação hormonal sobre o tecido endometrial. “O DIU hormonal é uma excelente alternativa para aquela mulher que não quer lembrar todos os dias de tomar a medicação ou que tem dificuldade de adesão. Ele tem uma ação mais local e funciona como método anticoncepcional e hormonal, reduzindo a ação do estrogênio, que está relacionado à progressão da endometriose”, explica Dr. Marcos.
Entre os benefícios está a possibilidade de uso prolongado e a redução importante do fluxo menstrual. Segundo o especialista, cerca de 65% das mulheres que utilizam o DIU hormonal deixam de menstruar, o que pode ser positivo no controle da endometriose.
A literatura científica também aponta benefícios do DIU de levonorgestrel no controle da dor pélvica e da dor durante a atividade sexual, além de sua utilização na prevenção da recorrência da doença após cirurgia.
Apesar dos benefícios, o método não deve ser indicado para todos os quadros. “Para pacientes com endometrioma, que é a endometriose localizada no ovário, não preconizamos o uso dessa medicação como tratamento da lesão, pois em alguns casos a mulher pode ter estimulo no ovario e ovular. A indicação precisa considerar o tipo de endometriose, os sintomas e as características de cada paciente”, esclarece.
A adaptação ao dispositivo também deve ser acompanhada com orientação médica. Nos primeiros meses, a mulher pode continuar menstruando ou apresentar alterações no padrão de sangramento, o que não significa necessariamente que o método não esteja funcionando. “É preciso ter tranquilidade para aguardar a adaptação. Uma mulher que coloca o Mirena pode ainda menstruar durante alguns meses. O médico precisa explicar como funciona o mecanismo de ação para que ela entenda o que está acontecendo com o próprio corpo”, orienta.
O acompanhamento também é importante para verificar o posicionamento do dispositivo e avaliar a resposta ao tratamento. Segundo o especialista, alterações na anatomia uterina, como alguns miomas, pólipos ou malformações, podem contraindicar o uso e devem ser avaliadas individualmente.
A incorporação do DIU de levonorgestrel ao SUS representa mais uma alternativa para mulheres que precisam controlar os sintomas da endometriose. O Ministério da Saúde mantém protocolo específico para diagnóstico, tratamento e acompanhamento da doença, que pode envolver estratégias medicamentosas e, em casos selecionados, cirurgia.
“É um método que pode trazer muita tranquilidade para a paciente, principalmente para quem busca uma opção de longa duração e não quer depender da tomada diária de um medicamento. Mas a escolha deve sempre ser individualizada e feita em conjunto com o médico”, conclui Dr. Marcos.
Quando a aposta entra
no orçamento, a perda vai além do dinheiro jogado
Estudo do Sicredi encontra inadimplência
40% maior entre apostadores, enquanto 82% das famílias brasileiras possuem
dívidas
A
aposta começa com um valor pequeno. Dez reais em uma partida, mais vinte em um
jogo online e outra tentativa para recuperar o que foi perdido. O problema
surge quando esses gastos passam a disputar recursos com alimentação, aluguel e
contas básicas.
Um
levantamento do Sicredi com 1,3 milhão de associados identificou inadimplência
40% maior entre as pessoas que apostaram online em 2025. O risco aumentava
conforme cresciam a frequência e os valores apostados. O dado surge em um
momento de forte pressão financeira. Em agosto de 2026, 82% das famílias
brasileiras tinham dívidas a vencer, segundo a Confederação Nacional do
Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Entre aquelas com renda de até três
salários mínimos, 85,1% estavam endividadas e 38,8% tinham contas atrasadas.
Dados
do Ministério da Fazenda obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação mostram
que 43,8 milhões de brasileiros já haviam apostado em plataformas autorizadas
até agosto de 2026, o equivalente a 27% da população adulta. No primeiro
semestre, os depósitos somaram R$ 88,5 bilhões, enquanto R$ 68,3 bilhões
retornaram aos apostadores em prêmios. As informações não incluem plataformas
ilegais.
Para
Rodrigo Mandaliti, presidente do Instituto de Gestão de Excelência Operacional
em Cobrança (IGEOC), o impacto nem sempre aparece como uma dívida diretamente
ligada ao jogo. “O prejuízo pode surgir na fatura do cartão, no uso do limite
da conta, no atraso de uma prestação ou na contratação de um empréstimo para
cobrir despesas básicas. Isso torna o problema menos visível, mas não menos
grave”, afirma.
A tentativa
de recuperar perdas pode aprofundar o comprometimento financeiro. Enquanto o
consumidor faz uma nova aposta para reaver o dinheiro anterior, as despesas
continuam vencendo. “O risco não está somente no valor perdido, mas na origem
do dinheiro. Quando a aposta compromete recursos destinados a contas ou à
reserva de emergência, pode gerar atraso, juros e necessidade de crédito”,
explica o corretor de seguros especialista em planejamento financeiro João
Vitor Mazzarino Pontes.
O
tema também chegou ao governo federal. Em discurso na Assembleia Geral da ONU,
em 22 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu medidas mais
rigorosas. As discussões incluem restrições à publicidade e aos jogos de
cassino online, além do reforço de mecanismos de proteção aos apostadores.
Representantes
das empresas autorizadas argumentam que restrições excessivas podem favorecer
plataformas ilegais. Desde janeiro de 2025, os operadores autorizados precisam
cumprir exigências relacionadas à identificação dos apostadores, publicidade,
prevenção à lavagem de dinheiro e jogo responsável.
Para
quem já comprometeu o orçamento, Pontes orienta interromper as apostas e
dimensionar as perdas. “A reorganização começa pelo levantamento do prejuízo,
sem contar com uma possível vitória futura. O passo seguinte é priorizar as
despesas essenciais e as dívidas com juros mais altos”, afirma.
Mandaliti
chama a atenção para a rapidez com que a situação pode se agravar. “Para
famílias com a renda comprometida, a distância entre uma aposta aparentemente
pequena e uma dívida difícil de pagar pode ser de apenas alguns cliques”,
conclui.
Rua do Lazer, Praça Universitária, Centro Cultural UFG, Teatro Basileu França e Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga formam um roteiro de c...