sábado, 30 de maio de 2026

Franquias de serviços essenciais avançam no Brasil ao transformar informalidade em modelo escalável

 


A Mary Help, rede especializada na intermediação de serviços domésticos, acelera sua expansão no Brasil apoiada em um indicador que, dentro do franchising, costuma antecipar consistência de modelo: quase 60% da base é formada por multifranqueados. O movimento ocorre em paralelo ao avanço das franquias de serviços essenciais, que vêm ganhando espaço ao organizar demandas recorrentes do dia a dia sob uma lógica de escala.


O mercado favorece esse tipo de operação. Dados da Associação Brasileira de Franchising apontam que o setor faturou R$ 301,7 bilhões em 2025, crescimento de 10,5% em relação ao ano anterior. Parte desse avanço está ligada à profissionalização de serviços historicamente informais, como limpeza e apoio doméstico, que passam a ser contratados com maior frequência e exigência de padrão.


“O multifranqueado é um termômetro importante. Quando o próprio operador decide expandir, isso indica que a unidade se sustenta na rotina e não depende de uma condição específica de mercado”, afirma José Roberto Campanelli, diretor da Mary Help.


A rede acompanha esse movimento ao estruturar um portfólio que combina serviços recorrentes e demandas pontuais, incluindo limpeza residencial, apoio a idosos, serviços para eventos e atendimento corporativo. A diversidade contribui para diluir oscilações e sustentar fluxo contínuo de pedidos ao longo do mês.


Os números ajudam a dimensionar a operação. A Mary Help já realizou mais de 4,4 milhões de diárias, atendeu cerca de 588 mil clientes e reúne mais de 10 mil profissionais em atividade. O volume reflete não apenas escala, mas a consolidação de um modelo que transforma serviços pulverizados em operação organizada.


O formato de entrada também explica parte da expansão. Com investimento inicial entre R$ 40 mil e R$ 60 mil, a rede opera com estrutura enxuta e rápida implementação, o que facilita a abertura de novas unidades por franqueados que já conhecem o negócio. Esse perfil tem impulsionado a multiplicação de pontos sob a gestão de um mesmo operador.


Segundo dados da própria rede, uma unidade registra faturamento médio mensal de R$ 68 mil, com margem entre 15% e 25% e retorno estimado entre 12 e 14 meses. A previsibilidade da demanda, ancorada em necessidades básicas, reduz a dependência de sazonalidade e reforça a estabilidade da operação.


A qualidade também avança como diferencial competitivo. A Mary Help acumula cinco chancelas da Associação Brasileira de Franchising e foi pioneira ao oferecer seguro para suas profissionais parceiras, em um setor ainda marcado por relações informais. “O consumidor passou a buscar mais previsibilidade e segurança na contratação desses serviços. Isso eleva o nível de exigência e favorece empresas que operam com padrão definido”, diz Campanelli.


O avanço da rede reflete uma mudança mais ampla. À medida que serviços do cotidiano passam a operar com estrutura e escala, o franchising amplia sua presença em um território que, até pouco tempo, funcionava à margem de qualquer organização.

No inverno, hidratar só a pele não basta, alerta dermatologista

 


Especialista explica como proteger cabelos e lábios do ressecamento e orienta sobre ativos e hábitos que ajudam a preservar a hidratação nos dias frios



A queda da temperatura e da umidade do ar costuma aumentar a preocupação com a pele ressecada no inverno. Mas os efeitos da estação não se limitam ao corpo: cabelos podem ficar mais ásperos e quebradiços, enquanto os lábios tendem a apresentar descamação, ardência e fissuras. Para a dermatologista Dra. Paula Sian, a hidratação no frio deve ser pensada de forma mais ampla, respeitando as particularidades de cada região.


“No inverno, muita gente lembra de passar hidratante no corpo, mas esquece que os cabelos e os lábios também sofrem com a perda de água e com as agressões do dia a dia. A hidratação precisa ser adequada para cada área: o produto que protege a pele não necessariamente resolve o ressecamento do fio ou a sensibilidade dos lábios”, explica a médica.


Na pele, substâncias como glicerina, pantenol, dexpantenol e aloe vera estão entre os ativos frequentemente presentes em hidratantes corporais. Segundo Paula, a textura do produto também influencia no cuidado: loções mais fluídas costumam ter maior teor de água, enquanto cremes mais densos oferecem proteção mais intensa contra a perda de hidratação, sendo especialmente úteis para peles secas ou sensibilizadas.


A dermatologista ressalta que o momento da aplicação faz diferença. O ideal é utilizar o hidratante logo após o banho, com a pele ainda úmida, para favorecer a retenção de água. Já os óleos corporais, embora possam melhorar a sensação de maciez, não devem ser considerados substitutos do hidratante. “O óleo forma uma película mais superficial e pode ajudar a reduzir a perda de água, mas não hidrata da mesma forma que um creme adequado. A pele pode parecer macia por fora e continuar ressecada. Por isso, principalmente no inverno, a prioridade deve ser o hidratante”, afirma.


A médica também chama atenção para hábitos que podem comprometer a proteção natural da pele, como banhos muito quentes e demorados, uso de bucha, esfoliação excessiva e sabonete em grande quantidade. Para ela, o cuidado mais eficiente continua sendo simples: água morna, banho rápido, sabonete usado com moderação e hidratação após a higiene. “Existe uma tendência de transformar o banho em um ritual com muitas etapas e produtos, mas, do ponto de vista dermatológico, o excesso pode prejudicar a barreira da pele. Não adianta agredir durante o banho e tentar compensar tudo depois com hidratante”, orienta.


Cabelos: hidratação deve ser direcionada aos fios

No inverno, o uso mais frequente de secador e de água quente pode aumentar o ressecamento dos cabelos, especialmente em fios que já passaram por coloração, luzes, progressiva, alisamentos ou outros procedimentos químicos. A dermatologista explica que é importante diferenciar o couro cabeludo dos fios. Enquanto o couro cabeludo é uma estrutura viva e pode apresentar oleosidade, caspa ou dermatite, o comprimento do cabelo é formado por fios que não conseguem se regenerar sozinhos depois de danificados.

“Uma pessoa pode ter couro cabeludo oleoso e pontas extremamente secas ao mesmo tempo. Nesses casos, é necessário cuidar de cada região de forma diferente: o shampoo voltado ao controle da oleosidade deve ser usado na raiz, enquanto condicionadores, máscaras, cremes para pentear e óleos reparadores devem ser aplicados no comprimento e nas pontas”, esclarece.


Entre os ativos comuns em produtos capilares hidratantes e reparadores estão pantenol, aloe vera, glicerina, ceramidas, ácido hialurônico e óleos vegetais, como os de semente de abacate, uva e girassol. Esses componentes ajudam a preservar a água dentro do fio, melhorar a maciez, reduzir o ressecamento e diminuir a quebra. 


Para cabelos muito danificados por química ou calor, produtos com ação reparadora e seladora, inclusive com queratina, podem fazer parte da rotina. Porém, Paula alerta que o tratamento perde efeito quando o fio continua sendo submetido constantemente a temperaturas muito elevadas. “Não adianta tentar reparar o cabelo e continuar agredindo o fio com secador muito quente, chapinha excessiva ou escovas rotativas em alta temperatura. O calor em excesso também traumatiza e resseca a fibra capilar”, destaca.


A atenção deve ser ainda maior nos cabelos brancos ou grisalhos, que tendem a ser naturalmente mais secos. Além disso, shampoos desamareladores podem intensificar a sensação de ressecamento. Por isso, a orientação é associar esses produtos a uma rotina de hidratação e optar por fórmulas específicas para cabelos grisalhos, capazes de proteger os fios sem comprometer a tonalidade.


Lábios exigem proteção antes de surgirem fissuras

Os lábios também ficam mais vulneráveis no inverno. Por serem uma região delicada e menos resistente às agressões externas, podem apresentar ressecamento, descamação, sensibilidade e rachaduras com maior facilidade.


“Os lábios precisam de cuidado logo nos primeiros sinais de ressecamento. Muitas pessoas arrancam as pelinhas soltas, mas isso pode provocar ferimentos, inflamação e prolongar o desconforto. O melhor é iniciar a hidratação antes que apareçam fissuras”, ressalta a dermatologista.


Entre os ativos indicados para hidratação labial estão pantenol, ceramidas, vitamina E, glicerina, manteiga de cacau e ceras naturais. A vaselina sólida também pode ser uma opção acessível para proteger a região, reduzir a perda de água e aliviar a sensação de irritação. Além do frio, alguns produtos usados no cotidiano podem intensificar o desconforto nos lábios. Paula cita pastas de dente branqueadoras, fórmulas à base de carvão ativado, produtos muito adstringentes e enxaguantes bucais com álcool. Substâncias ácidas, como limão e vinagre, também podem aumentar a ardência quando a região já está sensibilizada.


Cuidado de inverno não precisa ser complicado

A principal orientação para atravessar os meses frios com mais conforto é adotar uma rotina constante e adequada às necessidades individuais, sem acreditar que uma quantidade excessiva de produtos garantirá melhores resultados. “Hidratar é criar uma rotina de proteção, escolher ativos adequados e reduzir agressões desnecessárias. Pele, cabelos e lábios respondem melhor quando o cuidado é simples, regular e compatível com a necessidade de cada pessoa”, conclui Paula.


quarta-feira, 20 de maio de 2026

Empresas brasileiras aceleram operações no Mercosul e transformam América do Sul em rota de expansão

 


Acordos comerciais, digitalização e reorganização das cadeias globais levam companhias a ampliar presença regional e reduzir dependência do mercado interno

 

Empresas brasileiras começaram a acelerar operações em países vizinhos e transformar o Mercosul em uma das principais rotas de expansão internacional em 2026. O movimento, antes concentrado em grandes multinacionais, passou a ganhar força entre indústrias regionais, empresas de tecnologia e companhias de médio porte que buscam ampliar receita, distribuir riscos e diminuir a dependência do mercado doméstico.

 

A mudança ganhou impulso após a conclusão do acordo entre Mercosul e União Europeia, formalizado em janeiro deste ano depois de mais de duas décadas de negociações. O tratado conecta mercados que somam mais de 700 milhões de consumidores e prevê redução gradual de tarifas sobre cerca de 90% dos produtos comercializados entre os blocos.

 

Ao mesmo tempo, a reorganização das cadeias globais de produção, as disputas comerciais entre grandes economias e os custos crescentes de logística internacional reacenderam o interesse por mercados mais próximos e operacionalmente mais previsíveis.

 

Dados da Confederação Nacional da Indústria indicam que o acordo pode elevar de 8% para 36% o acesso brasileiro ao mercado global de importações de bens. Já a corrente de comércio entre Brasil e Paraguai alcançou US$ 7,3 bilhões em 2025, segundo dados oficiais dos dois países, refletindo o avanço da integração produtiva regional.

 

O movimento já altera a rotina das empresas. Indústrias estruturam operações comerciais em países vizinhos, companhias de tecnologia ampliam atendimento regional e empresas de logística intensificam a criação de centros de distribuição integrados entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

 

Setores ligados a software, serviços financeiros, máquinas industriais e agronegócio aparecem entre os mais ativos nesse avanço regional. Em muitos casos, a digitalização reduziu custos de entrada e permitiu operações mais enxutas.

 

Para Marcos Koenigkan, CEO do Think Tank Mercado & Opinião, o Mercosul voltou ao centro das decisões empresariais por razões menos diplomáticas e mais econômicas. “O empresário brasileiro percebeu que depender de um único mercado aumenta vulnerabilidades. A expansão regional passou a ser vista como forma de ampliar receita, reduzir exposição econômica e aumentar competitividade”, afirma.

 

O Mercado & Opinião promove, no próximo dia 21 de maio, em São Paulo, um encontro voltado à expansão regional das empresas brasileiras. O debate reunirá lideranças empresariais e representantes públicos, entre eles Marco Riquelme, ministro da Indústria e Comércio do Paraguai, Jorge Bunchicoff, presidente da Maquila, Liliana Aufiero, presidente do Grupo Lupo, e Erasmo Carlos Battistella, presidente da Be8.

 

Apesar do avanço, infraestrutura logística limitada, burocracia alfandegária, diferenças regulatórias e oscilações cambiais seguem entre os principais obstáculos apontados pelo setor produtivo. A Argentina resume parte dessas incertezas. O interesse de empresas brasileiras no mercado vizinho aumentou nos últimos anos, mas a instabilidade econômica e as mudanças frequentes nas regras comerciais ainda exigem cautela.

 

Para Paulo Motta, vice-presidente do Think Tank Mercado & Opinião, em São Paulo, acordos comerciais ampliam oportunidades, mas não substituem capacidade operacional. “As empresas que devem avançar com mais consistência são aquelas capazes de unir eficiência logística, leitura comercial e adaptação cultural. Internacionalizar exige planejamento, execução e visão de longo prazo”, diz.

 

Depois de anos associado mais ao discurso político do que aos resultados econômicos, o Mercosul voltou a ganhar relevância prática dentro do planejamento empresarial brasileiro. “Crescer fora do país deixou de ser um passo restrito a grandes grupos e passou a integrar a estratégia de empresas que buscam estabilidade, novas receitas e maior capacidade de adaptação econômica”, conclui Koenigkan.

DoctorFit acelera expansão com novas unidades em meio ao avanço do setor de saúde no franchising


O setor de saúde e bem-estar segue entre os segmentos que mais crescem dentro do franchising brasileiro. Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o segmento registrou crescimento de 14,6% em 2025, movimentando cerca de R$ 74,3 bilhões no período. O avanço acompanha uma mudança no comportamento do consumidor, cada vez mais atento à prevenção, qualidade de vida e envelhecimento saudável.

Nesse cenário, o empreendedorismo voltado à saúde também passa por transformação. O novo momento do setor tem atraído investidores interessados em fomentar modelos estruturados ligados à saúde, não apenas pelo potencial de faturamento, mas também pela possibilidade de promover impacto positivo na qualidade de vida da população.

É nesse contexto que a DoctorFit avança com três inaugurações estratégicas no mês de maio, nas cidades do Rio de Janeiro (Tijuca), Jundiaí (SP) e Belo Horizonte (MG). Mais do que ampliar presença geográfica, as novas unidades ajudam a traduzir, na prática, a mudança de perfil do setor, em que modelos de franquia se consolidam pela proximidade com a área da saúde, oferecendo não apenas treinamento personalizado, mas também acompanhamento voltado à longevidade, prevenção e envelhecimento saudável.

Em Belo Horizonte, a operação será liderada pela comunicóloga Lorenza Maria, de 45 anos, que possui experiência administrativa na PUC Minas. A nova unidade reforça um movimento crescente de profissionais de diferentes áreas que passam a enxergar o setor de saúde e bem-estar como oportunidade de empreender em um mercado em expansão.

“Acredito na transformação que a atividade física proporciona na vida das pessoas, principalmente na qualidade de vida e autoestima”, afirma.

Já em Jundiaí, a expansão acontece por meio dos médicos Mariana Marques e Rafael Belloni, que integram o modelo da DoctorFit a uma clínica voltada ao tratamento de dores na coluna. A proposta une exercício físico personalizado ao acompanhamento clínico, fortalecendo a tendência de integração entre saúde, prevenção e exercício físico.

A decisão de entrada dos médicos na rede foi influenciada pela experiência positiva de outro profissional da área que já atua como franqueado da marca, evidenciando o crescimento do interesse de profissionais da saúde por modelos de negócio ligados ao bem-estar. “Nosso foco é oferecer qualidade de vida e suporte para pacientes com lesões, com um crescimento estruturado e consistente”, destacam.

Com perfis diferentes de investidores, as novas unidades também reforçam uma das características do modelo da DoctorFit: a possibilidade de atuação de empreendedores de diferentes áreas, desde administradores até médicos e profissionais da saúde, todos preparados pela franqueadora para operar o negócio de forma estruturada.

A expansão da rede em diferentes regiões do país acompanha a consolidação do mercado de saúde preventiva no Brasil. Em um cenário em que consumidores buscam cada vez mais uma rotina saudável, personalização e acompanhamento próximo, modelos de negócio ligados ao bem-estar seguem ampliando espaço dentro do franchising nacional.

Para a DoctorFit, o crescimento da rede reflete não apenas o avanço do setor, mas também o fortalecimento de um modelo que combina suporte ao franqueado, treinamento operacional e proximidade com a área da saúde, permitindo que diferentes perfis de empreendedores ingressem no segmento com preparo e acompanhamento contínuo.

Raio – X DoctorFit
- Investimento: R$ 170 mil (equipamentos, custo de infraestrutura, taxa de franquia inicial)
- Área mínima: 60 m²
- Número de funcionários: 2
- Faturamento mensal: de R$ 20 mil a R$ 30 mil
- Royalties: R$ 1.320,00 mínimo ou 6% do faturamento bruto
- Fundo de publicidade: R$ 500 mensal
- Prazo de retorno: 16 a 20 meses
- Prazo do contrato: 4 anos
- Lucro líquido mensal por unidade: 30-40%

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Tenho milhões de views. Então por que ninguém lembra de mim?

Especialistas explicam por que alcance digital deixou de significar relevância pública em uma internet cada vez mais acelerada

 

A internet nunca produziu tanta gente famosa. E, ao mesmo tempo, nunca esqueceu tão rápido das pessoas. Todos os dias, criadores acumulam milhões de visualizações, viralizam em sequência, dominam trends, aparecem em milhares de telas e desaparecem pouco depois. Os números impressionam, mas e a permanência?

A lógica da influência digital mudou. Alcance deixou de garantir relevância. E visualização já não significa reconhecimento público. Segundo a pesquisa “#Publi 2025”, do IAB Brasil em parceria com a Offerwise, 7 em cada 10 brasileiros afirmam que autenticidade é o principal fator para confiar em influenciadores. O levantamento também aponta que vídeos curtos seguem como o formato mais consumido no país.

Dados do TikTok mostram que usuários brasileiros passam, em média, mais de 95 minutos por dia na plataforma, um dos maiores tempos de permanência do mundo. Ao mesmo tempo, nunca houve essa quantidade de gente disputando atenção. Dados divulgados pelo IAB indicam que o Brasil já reúne cerca de 40 milhões de criadores de conteúdo, consolidando o país entre os maiores mercados da creator economy no mundo. Na prática, isso criou uma internet onde quase todo mundo consegue aparecer e permanecer relevante virou outra disputa.

Para Paulo Motta, fundador da Agência Blays, especialista em construção de imagem pública e gestão de carreiras, parte dos influenciadores confunde alcance momentâneo com construção de reputação. “Hoje existe uma indústria da aparência de relevância. Muita gente acredita que números, sozinhos, sustentam uma carreira. Mas o público pode assistir, consumir e esquecer tudo muito rápido. Fama exige identidade, repetição e percepção”, afirma.

Paulo Motta

A velocidade das plataformas também mudou a relação das pessoas com a memória digital. O consumo deixou de ser profundo e passou a ser contínuo. O feed nunca termina. A atenção nunca descansa.

Para Thiago Weirich Barreiros Silva, fundador da W4Digital e especialista em marketing de performance e inteligência artificial, o algoritmo consegue ampliar distribuição em escala. O problema é que alcance não cria, necessariamente, vínculo. “Hoje existe tecnologia para impulsionar conteúdo, automatizar campanhas e ampliar visualizações de maneira muito rápida. Só que audiência não significa lembrança. O algoritmo entrega o vídeo, a conexão humana ainda depende de identidade, constância e percepção”, explica.

Thiago Weirich

Na visão dele, muitos criadores acabam entrando em uma corrida permanente por performance, repetindo fórmulas que funcionam temporariamente para continuar aparecendo. “O influenciador começa a produzir pensando apenas em retenção e alcance, aos poucos, perde personalidade. E quando todo mundo passa a falar da mesma forma, a audiência consome sem criar conexão real”, diz.

O comportamento já aparece nos números do setor. Um estudo da Favikon em parceria com a People2Biz mostrou que apenas 22% dos influenciadores brasileiros conseguem monetizar efetivamente seus conteúdos em 2025, mesmo diante do crescimento acelerado da creator economy.

A diferença entre audiência e relevância também aparece fora das redes sociais. Muitos produtores de conteúdo acumulam milhões de visualizações, mas seguem desconhecidos fora do próprio algoritmo. Não se transformam em marcas fortes, não consolidam autoridade e muitas vezes desaparecem assim que o assunto deixa de performar.

Para Paulo Motta, isso ajuda a explicar o surgimento de uma geração de famosos descartáveis. “Antes, construir imagem pública levava anos. Hoje, alguém pode viralizar em poucas horas. Só que o esquecimento acontece na mesma velocidade. O público lembra da trend, da música, da polêmica. Nem sempre lembra da pessoa”, afirma.

Ele acredita que nomes que conseguem atravessar tendências costumam compartilhar características parecidas: narrativa clara, posicionamento consistente e presença além do conteúdo viral. “As pessoas se conectam com identidade. Quem permanece relevante normalmente consegue fazer o público enxergar algo além do vídeo”, diz.

Thiago afirma que a inteligência artificial deve acelerar ainda mais esse fenômeno nos próximos anos. Produzir conteúdo ficou mais rápido, mais barato e mais acessível. Como consequência, o volume de informação cresce em uma velocidade inédita. “A IA democratizou a produção. Hoje, qualquer pessoa consegue criar conteúdo em escala. Isso aumenta a concorrência por atenção e torna a memória um ativo ainda mais raro”, afirma.

No meio da avalanche diária de vídeos, trends e viralizações, a disputa deixou de ser apenas por alcance. Em uma internet onde todos aparecem, poucos conseguem permanecer e faturar.


sexta-feira, 8 de maio de 2026

Gastronomia se torna porta de entrada para o empreendedorismo feminino no Brasil

 Trajetória de franqueada do Instituto Gourmet revela como educação prática e propósito têm impulsionado mães a empreender e gerar renda


Segundo dados do Sebrae, as mulheres já lideram cerca de 34% dos negócios no Brasil, e uma parcela significativa desse grupo é formada por mães que encontram no empreendedorismo uma forma de conciliar renda e cuidar da família. Na gastronomia, esse movimento ganha ainda mais força, impulsionado pela busca por independência financeira e pela possibilidade de começar com baixo investimento.


É nesse cenário que histórias como a de Pamela Silva Oliveira, de 34 anos, ganham relevância. Mãe de quatro filhos e hoje à frente de uma unidade do Instituto Gourmet em Santo Amaro, Zona Sul de São Paulo, ela representa um retrato fiel de uma geração de mulheres que transformam desafios pessoais em estratégias de crescimento.


A virada na trajetória profissional veio após anos atuando como funcionária dentro da própria escola de gastronomia. O conhecimento prático do dia a dia e das necessidades dos alunos foi determinante para a decisão de empreender. “Eu já conhecia os processos e enxergava oportunidades de melhorar e ampliar o impacto daquele modelo”, conta. A escolha por uma franquia também trouxe segurança em um momento de transição.


Mas foi a maternidade que redefiniu completamente sua forma de liderar e gerir o negócio. Apenas três meses após assumir a unidade, Pamela descobriu a quarta gravidez. O que poderia ser visto como um obstáculo se tornou um ponto de virada. “A maternidade me ensinou a ser extremamente eficiente, a delegar e a confiar. Eu não tinha tempo a perder, então precisei aprender a focar no que realmente traz resultado”, afirma. 


Hoje, com faturamento mensal superior a R$ 100 mil, a empresária atribui parte desse crescimento à combinação entre disciplina e sensibilidade. A experiência como mãe ampliou sua capacidade de escuta e trouxe um olhar mais humano para a gestão. “Entendi que muitas alunas do curso chegam na gastronomia buscando um recomeço. Passei a liderar com mais empatia, criando um ambiente onde elas se sentem acolhidas e capazes”, explica. 


Conciliar a rotina de uma família numerosa com a gestão de um negócio não veio sem desafios. A sensação constante de estar dividida entre casa e trabalho exigiu maturidade emocional e organização. Criar processos, formar uma equipe de confiança e aprender a delegar foram passos essenciais para sustentar o crescimento. 


Neste contexto, o dia das mães, ganha um significado mais profundo. Para Pamela, é um momento de reconhecer a própria trajetória e, ao mesmo tempo, se conectar com outras mulheres que vivem desafios parecidos. “Vejo muitas mães encontrando na gastronomia uma forma de cuidar da família e também de conquistar independência. Existe uma identificação muito forte”, diz.

Esse movimento acompanha uma mudança maior no país. Modelos de ensino mais práticos e voltados para a geração de renda têm aberto portas para quem quer empreender, especialmente mulheres que precisam de alternativas mais flexíveis.


No fim, histórias como a dela mostram que, por trás das estatísticas, existem trajetórias marcadas por coragem, adaptação e propósito. E que, cada vez mais, são as mães que estão ajudando a redesenhar o empreendedorismo no Brasil.



Sobre Instituto Gourmet 

Com mais de dez anos de mercado, o Instituto Gourmet Brasil é a maior rede nacional de franquia especializada em cursos profissionalizantes na área da gastronomia. Criado para quem deseja empreender, ingressar no mercado gastronômico, obter formação profissional da área ou aprender por hobby, o Instituto Gourmet oferece opções de cursos de curta, média e longa duração, com flexibilidade nos horários, aulas práticas e foco na interação do aluno. Criada em 2014, a rede ingressou na franchising em 2017 e já conta com mais de 100 unidades abertas em todo o país.

https://institutogourmet.com/cursos/

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Mercado Livre Arena Pacaembu recebe 13º Fórum do IGEOC, que projeta 1.300 participantes e debate IA na recuperação de crédito


 

Em ano de Copa, evento marca os 20 anos do instituto e trará partida de futebol entre os convidados


O Fórum de Inovação IGEOC 2026, um dos principais eventos do setor de recuperação de crédito no Brasil, chega à sua 13ª edição em meio às transformações que vêm redesenhando o mercado. No dia 10 de junho, o encontro será realizado na Mercado Livre Arena Pacaembu, reunindo executivos, especialistas e empresas para uma imersão em conteúdo, networking e troca de experiências. A escolha do local acompanha o calendário esportivo: às vésperas da Copa do Mundo, reforça a proposta de um evento mais dinâmico, conectado ao momento do país. 


A edição deste ano ganha ainda mais relevância ao marcar os 20 anos do Instituto, em uma fase de ampliação de sua atuação. Em um painel especial, a iniciativa revisita os principais marcos do IGEOC desde a sua fundação, com a participação de ex-presidentes e lideranças que contribuíram para a construção e o desenvolvimento do setor ao longo das últimas duas décadas. O espaço deve destacar a evolução da entidade, seus diferentes estágios de atuação e os avanços mais recentes, incluindo projetos em andamento e iniciativas que vêm gerando impacto direto no mercado e entre as empresas associadas.


Com expectativa de reunir cerca de 1.300 participantes, o evento terá início às 9h e contará com representantes de diversos segmentos, como bancos, financeiras, seguradoras, varejo, saúde e educação. Entre os temas em destaque estão o cenário da recuperação de crédito, os impactos da reforma tributária e a aplicação prática da inteligência artificial, incluindo um painel com empresas internacionais que trará casos concretos e experiências do uso da tecnologia no setor.


A proposta desta edição vai além do conteúdo técnico. Em sintonia com o momento vivido no país, o encontro incorpora elementos que estimulam a conexão entre os participantes de forma mais dinâmica. Ao final, a programação se estende para uma experiência de integração no próprio complexo do estádio, com a realização de uma partida de futebol entre os convidados, iniciativa que reforça o caráter colaborativo e amplia as oportunidades de relacionamento.


“A cada edição, buscamos reforçar o papel do IGEOC como um impulsionador de inovação. O Fórum foi pensado para equilibrar conteúdo relevante e conexão entre as pessoas. Ao criar um ambiente mais descontraído, queremos incentivar interações mais naturais e acessíveis, refletindo uma nova forma de se relacionar no mercado, mais próxima e menos formal”, afirma Rodrigo Mandaliti, presidente do IGEOC (Instituto Geoc - Gestão de Excelência Operacional em Cobrança).


O evento é fechado e reúne convidados das empresas associadas ao IGEOC, garantindo um ambiente qualificado para troca de experiências e networking, com participação fundamental dos seus principais parceiros, que atuam em segmentos como tecnologia, dados, inteligência analítica, comunicação digital, soluções de cobrança, automação e serviços jurídicos, como: Ótima Digital, Best Voice Digital, Oktor, Olos, Leaf, Bruno Vanderlei Advogados, Khomp, Acordo On Line, Carbigdata, Comunikime, Pontaltech, Secobesp, Link2Go, Classe A Serviços Digitais, Viva Tech e Gosac.


Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail evento@igeoc.org.br

Você sabe o que é burnout materno?


Entenda os sintomas e como prevenir a condição que afeta 9 em cada 10 mães no Brasil


O dia começa antes mesmo do despertador tocar: entre mamadas, tarefas acumuladas e a pressão constante de dar conta de tudo, muitas mães seguem no automático, deixando de lado sinais importantes de exaustão. A cena é comum e ajuda a ilustrar uma realidade cada vez mais presente, cujo nome é pouco conhecido: o burnout materno.


Embora o termo burnout seja frequentemente associado ao ambiente de trabalho, ele também se manifesta na maternidade. Um levantamento da Kiddle Pass em parceria com a B2Mamy mostra que nove em cada dez mães no Brasil apresentam algum nível de esgotamento parental. Os dados revelam diferentes intensidades desse cenário: 9,37% das brasileiras apresentam sinais de esgotamento grave, 44,2% moderado, 33,99% leve e apenas 9,42% relatam poucos ou nenhum sintoma.


Esse quadro está diretamente ligado a sobrecarga cotidiana, à pressão social por uma maternidade idealizada e, principalmente, à ausência de uma rede de apoio estruturada. Na prática, esse movimento já se reflete no aumento da busca por apoio profissional. “Cada vez mais famílias entendem que o cuidado não é um luxo, mas uma necessidade, especialmente durante a gestação e no puerpério”, afirma Jéssica Ramalho, fisioterapeuta e fundadora da Acuidar, maior rede de cuidadores da América Latina. De acordo com a executiva, o número de pacientes com esse tipo de quadro cresceu de forma considerável nos últimos anos. 


A questão tem recebido cada vez mais atenção, diante da gravidade confirmada pelos dados. Em setembro de 2025, foi aprovado um Projeto de Lei que institui a Política Nacional de Apoio e Prevenção da Estafa Mental ou Burnout Materno. A medida prevê a capacitação de profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) para a identificação precoce de sinais de esgotamento, além de orientação e acompanhamento multidisciplinar às mães. A declaração também contempla ações de conscientização e a integração entre saúde, assistência social e educação, com foco na promoção do bem-estar físico, mental e emocional das mulheres desde a gestação e ao longo da maternidade.


Apesar dos avanços, reconhecer os sinais ainda não é simples. Isso porque o burnout materno costuma se misturar à rotina. “Muitas mulheres seguem funcionando, mesmo já esgotadas, por acreditarem que esse cansaço é parte natural da maternidade. Só que há uma diferença importante entre o desgaste esperado e um esgotamento que não passa”, reforça Jéssica.


Na prática, o quadro se instala de forma gradual. O que começa como fadiga constante evolui para uma sensação de sobrecarga permanente, como se não houvesse pausa possível. Irritabilidade, impaciência e dificuldade de lidar com situações do dia a dia passam a ser frequentes. Algumas mães relatam um distanciamento emocional, não por falta de afeto, mas por falta de energia para sustentar tantas demandas. Também entram nesse cenário alterações no sono, dificuldade de concentração, esquecimentos recorrentes e uma sensação persistente de insuficiência.


“Essa mãe geralmente continua dando conta de tudo por fora, mas por dentro já está exausta. E, muitas vezes, ela nem se permite reconhecer isso”, complementa Jéssica.  Por isso, a prevenção começa com o objetivo de romper com essa lógica de sobrecarga silenciosa. Construir uma rede de apoio ativa faz diferença concreta na rotina. A presença de um cuidador, por exemplo, pode aliviar tarefas práticas e permitir que a mãe tenha pausas reais de descanso.

“Quando essa mulher tem com quem contar, ela consegue desacelerar. E isso impacta diretamente na forma como ela vive a maternidade”, afirma Jéssica.


Além da rede de apoio, algumas mudanças ajudam a reduzir o risco de esgotamento. Ajustar expectativas, estabelecer limites e abandonar a ideia de perfeição são passos importantes. Essas questões podem ser guiadas a partir de acompanhamento psicológico, em paralelo ao auxílio da rede de apoio. Em alguns casos, avaliação médica também se torna necessária, especialmente quando surgem sinais associados de ansiedade ou depressão.


Nesse sentido, ampliar o conhecimento sobre o burnout materno é essencial para mudar a forma como esses sinais são interpretados no dia a dia. Para Jéssica, ainda existe uma dificuldade em diferenciar o que faz parte de um processo de adaptação e o que já indica um nível de desgaste que precisa de atenção. “Existe uma tendência de normalizar o cansaço extremo, a sobrecarga e até o sofrimento emocional como se fossem inerentes a ser mãe, e não são”, afirma. A partir desse entendimento, torna-se mais fácil reconhecer que esses sintomas não devem ser incorporados à rotina, mas observados como indicativos de que algo precisa ser ajustado.


Por que a endometriose ainda é subdiagnosticada no Brasil?

 


O Dia Internacional da Luta Contra a Endometriose é celebrado em 7 de maio e reforça o alerta para uma doença que pode afetar aproximadamente 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva, segundo estimativas baseadas em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Mesmo com alta prevalência, a endometriose ainda é subdiagnosticada e frequentemente confundida com “cólica forte”.

Afinal, o que é a endometriose?

De acordo com o Dr. Marcos Tcherniakovsky, ginecologista, especialista em endometriose e Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), a doença ocorre quando o tecido que reveste a parte interna do útero (endométrio) se desloca para fora da cavidade uterina.

“Durante a menstruação, parte desse material pode refluir pelas tubas uterinas e atingir a cavidade abdominal. Com isso, pode se implantar em regiões como atrás do útero, ovários, intestino e bexiga. Esse processo desencadeia uma reação inflamatória que varia de quadros leves até manifestações severas”, explica o médico.

Sintomas

Os sintomas são variados e podem ser incapacitantes. Dismenorreia intensa (cólica menstrual profunda), dor pélvica crônica que persiste além do período menstrual, dor durante as relações sexuais, desconforto intestinal ou urinário que acompanha o ciclo e dificuldade para engravidar são algumas das manifestações relatadas com maior frequência. Muitas pacientes convivem com esses sinais por anos sem receber um diagnóstico formal, o que compromete tanto a saúde física quanto o bem-estar emocional.

“Muitas mulheres normalizam a dor por anos, o que contribui para o atraso no diagnóstico. A dor incapacitante não deve ser considerada algo comum”, alerta o especialista.

Quem pode desenvolver a doença?

A endometriose está relacionada ao período reprodutivo da mulher. Pode surgir desde a primeira menstruação que pode ocorrer a partir dos 10 ou 11 anos até a menopausa. “Chamamos esse intervalo de menacme, fase em que a mulher está menstruando. Em todo esse período existe a possibilidade de surgimento da endometriose”, ressalta o Dr. Marcos.

Diagnóstico precoce é decisivo

O diagnóstico precoce e o manejo adequado são fundamentais para minimizar complicações. O tratamento pode incluir opções farmacológicas, terapias hormonais e, nos casos mais avançados, intervenção cirúrgica. “Um acompanhamento clínico multidisciplinar é essencial para reduzir a dor, preservar a fertilidade quando desejado e promover melhor qualidade de vida”, conclui o especialista.

Ampliar a conscientização sobre os sinais de alerta e estimular a busca por avaliação médica pode diminuir o tempo até o diagnóstico e, consequentemente, reduzir o impacto da doença no cotidiano das mulheres.

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