Uma
saliência na região pubiana que aparece sob a roupa, mesmo quando o restante do
corpo não apresenta o mesmo volume, virou motivo de curiosidade nas redes
sociais. O chamado “capô de Fusca” é uma forma popular de se referir à projeção
do monte de Vênus, área localizada à frente do osso púbico e que concentra pele
e tecido adiposo. A característica é comum e varia de mulher para mulher, mas,
quando o volume incomoda, surge a dúvida: é gordura localizada, excesso de pele
ou apenas uma característica anatômica? É nesse ponto que entra a avaliação
para procedimentos como a lipo do monte de Vênus.
Na
medicina, a região é chamada de monte de Vênus ou monte púbico. Ela é formada
por pele e tecido subcutâneo, incluindo gordura, e seu volume sofre influência
de fatores como genética, distribuição corporal de gordura, oscilações de peso
e envelhecimento.
Para a
ginecologista e especialista em cirurgia íntima Dra. Mariana Macedo, entender a
composição dessa região é fundamental antes de definir qualquer tratamento. “Em algumas mulheres, o volume permanece mais
evidente mesmo após o emagrecimento. Em outras, grandes oscilações de peso
também deixam excesso ou flacidez de pele, o que significa que a queixa nem
sempre está relacionada apenas à quantidade de gordura. Essa diferença é
justamente o que orienta a escolha do tratamento”, esclarece a profissional.
Quando
o principal componente é a gordura localizada, a chamada lipo do monte de
Vênus, ou lipoaspiração pubiana, entra como uma possibilidade. O procedimento
retira parte do tecido adiposo da região para remodelar seu contorno e não tem
finalidade de emagrecimento. A indicação considera fatores como quantidade de
gordura, elasticidade da pele e proporção da área em relação ao restante do
corpo.
“A
avaliação individualizada é fundamental para entender o que realmente incomoda
a paciente e qual estrutura está envolvida”, explica Mariana. A consulta também
permite alinhar expectativas e verificar qual abordagem faz sentido para cada
anatomia.
Segundo
a ginecologista, vale ressaltar que a lipo do monte de Vênus não deve ser
confundida com a ninfoplastia. Embora os dois procedimentos estejam
relacionados à cirurgia íntima, eles atuam em estruturas diferentes. “A
lipoaspiração trata o tecido adiposo da região pubiana, enquanto a
ninfoplastia, também chamada de labioplastia, remodela os pequenos lábios”,
pontua.
Como
funciona o procedimento e a recuperação
A indicação
da lipo começa em consulta, com avaliação do histórico de saúde, exame da
região e discussão das expectativas. A técnica e a anestesia são definidas
individualmente. Durante o procedimento, pequenas incisões permitem a
introdução de cânulas para retirar o tecido adiposo e remodelar o contorno.
O
pós-operatório envolve cuidados específicos e acompanhamento médico. Inchaço,
sensibilidade e alterações temporárias no aspecto da região são esperados
durante a recuperação. O retorno às atividades físicas e às relações sexuais
depende da evolução de cada paciente e da orientação do cirurgião.
O
resultado também não deve ser avaliado imediatamente. O edema modifica o
contorno nas primeiras semanas e diminui progressivamente durante a
recuperação. O acompanhamento médico serve para observar a cicatrização e
orientar cada etapa do retorno à rotina.
A
escolha do profissional também merece atenção. Por se tratar de uma região
próxima às estruturas genitais, o procedimento exige conhecimento anatômico e planejamento
cuidadoso. “Ouvir é tão importante quanto tratar”, afirma Mariana, reforçando a
importância de compreender a queixa antes de definir qualquer intervenção.

Nenhum comentário:
Postar um comentário