A procura por
procedimentos sem cortes e sem injeções cresce, mas o público nem sempre sabe
que desconforto, edema, alteração de sensibilidade e queimaduras podem ocorrer
A busca por tratamentos estéticos
que prometem melhorar a firmeza da pele sem cirurgia, cortes ou agulhas tem
ganhado espaço. Entre as tecnologias utilizadas estão os equipamentos de
ultrassom micro e macrofocado, aplicados em protocolos para flacidez facial e
corporal e, em situações específicas, para o contorno de determinadas regiões.
A ausência de agulhas, no entanto,
não significa ausência de riscos. Como o ultrassom concentra energia em
diferentes profundidades dos tecidos, o procedimento pode causar efeitos
adversos quando há indicação inadequada, parâmetros mal ajustados, aplicação
incorreta ou falta de avaliação individualizada.
“Não invasivo não é sinônimo de
isento de riscos. Mesmo sem cortes ou injeções, o procedimento utiliza energia
e pode produzir respostas nos tecidos. A segurança depende da avaliação, da
escolha dos parâmetros, do conhecimento da anatomia e do acompanhamento
adequado”, explica a fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto, especialista em
reabilitação funcional e saúde dos tecidos.
Resultado varia entre pacientes
Os resultados não são iguais para
todos os pacientes. Segundo Milazzotto fatores como variações entre os
equipamentos, profundidades, níveis de energia, quantidade de disparos e
protocolos utilizados, associados ao excesso de flacidez e índice de massa
corporal acima de 30 podem reduzir ou acelerar a resposta ao tratamento.
“Quando uma divulgação promete
resultado imediato, é importante perguntar o que está sendo medido: uma
contração inicial, uma mudança no contorno, uma melhora na textura ou um efeito
que se consolida ao longo do tempo. São fenômenos diferentes”, afirma Mariana.
Antes da aplicação, o paciente deve
perguntar:
●
Qual é o objetivo real do tratamento?
●
Qual equipamento será utilizado e ele está
regularizado?
●
Quem fará a aplicação e qual é sua formação?
●
O profissional está autorizado a operar o aparelho
segundo o manual do fabricante?
●
Como será feita a avaliação antes da sessão?
●
Quais efeitos são esperados e quais eventos adversos
podem ocorrer?
●
Como será o acompanhamento após o procedimento?
●
Quem será procurado em caso de reação?
Informações que devem ser relatadas
O profissional precisa ser informado
sobre cirurgias anteriores na região, medicamentos em uso, doenças
neurológicas, cardiovasculares, autoimunes ou dermatológicas, alterações de
sensibilidade, dormência, formigamento, infecções, feridas, inflamações,
histórico de queimaduras ou reações a procedimentos.
Também devem ser mencionados
preenchimentos, fios, implantes e outros tratamentos realizados na área, além
de condições clínicas como gestação, quando aplicável.
“O histórico não é um detalhe
burocrático. Ele ajuda a definir se o tratamento é indicado, qual região pode
ser abordada e quais parâmetros devem ser considerados. Em alguns casos, também
indica a necessidade de avaliação médica ou de outro profissional”, explica a
fisioterapeuta.
Sinais de alerta
Vermelhidão discreta, sensibilidade
e inchaço leve podem ocorrer após alguns protocolos, mas a evolução deve ser
acompanhada. Dor intensa ou progressiva, bolhas, queimaduras, perda persistente
de sensibilidade, fraqueza muscular, assimetria importante, inchaço que piora e
sinais de infecção exigem contato com o serviço responsável e avaliação
profissional.
“Diante de um sintoma intenso ou que
piora, não é recomendado esperar vários dias para ver se desaparece. Registrar
quando o sinal começou, fotografar a área e buscar orientação ajuda a
identificar a reação e definir a conduta adequada”, orienta Mariana.
Para a especialista, o principal
critério de escolha não deve ser apenas a promessa de um procedimento sem
agulhas. “A pergunta mais importante é se o tratamento é adequado para aquela
pessoa, naquela região, com aquele equipamento e com um protocolo compatível
com seu objetivo e suas condições de saúde.”

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