terça-feira, 29 de setembro de 2026

Sem agulhas, mas não sem riscos: como escolher tratamentos estéticos com ultrassom

 

A procura por procedimentos sem cortes e sem injeções cresce, mas o público nem sempre sabe que desconforto, edema, alteração de sensibilidade e queimaduras podem ocorrer

A busca por tratamentos estéticos que prometem melhorar a firmeza da pele sem cirurgia, cortes ou agulhas tem ganhado espaço. Entre as tecnologias utilizadas estão os equipamentos de ultrassom micro e macrofocado, aplicados em protocolos para flacidez facial e corporal e, em situações específicas, para o contorno de determinadas regiões.

A ausência de agulhas, no entanto, não significa ausência de riscos. Como o ultrassom concentra energia em diferentes profundidades dos tecidos, o procedimento pode causar efeitos adversos quando há indicação inadequada, parâmetros mal ajustados, aplicação incorreta ou falta de avaliação individualizada.

“Não invasivo não é sinônimo de isento de riscos. Mesmo sem cortes ou injeções, o procedimento utiliza energia e pode produzir respostas nos tecidos. A segurança depende da avaliação, da escolha dos parâmetros, do conhecimento da anatomia e do acompanhamento adequado”, explica a fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto, especialista em reabilitação funcional e saúde dos tecidos.

Resultado varia entre pacientes

Os resultados não são iguais para todos os pacientes. Segundo Milazzotto fatores como variações entre os equipamentos, profundidades, níveis de energia, quantidade de disparos e protocolos utilizados, associados ao excesso de flacidez e índice de massa corporal acima de 30 podem reduzir ou acelerar a resposta ao tratamento.

“Quando uma divulgação promete resultado imediato, é importante perguntar o que está sendo medido: uma contração inicial, uma mudança no contorno, uma melhora na textura ou um efeito que se consolida ao longo do tempo. São fenômenos diferentes”, afirma Mariana.

Antes da aplicação, o paciente deve perguntar:

●       Qual é o objetivo real do tratamento?

●       Qual equipamento será utilizado e ele está regularizado?

●       Quem fará a aplicação e qual é sua formação?

●       O profissional está autorizado a operar o aparelho segundo o manual do fabricante?

●       Como será feita a avaliação antes da sessão?

●       Quais efeitos são esperados e quais eventos adversos podem ocorrer?

●       Como será o acompanhamento após o procedimento?

●       Quem será procurado em caso de reação?

Informações que devem ser relatadas

O profissional precisa ser informado sobre cirurgias anteriores na região, medicamentos em uso, doenças neurológicas, cardiovasculares, autoimunes ou dermatológicas, alterações de sensibilidade, dormência, formigamento, infecções, feridas, inflamações, histórico de queimaduras ou reações a procedimentos.

Também devem ser mencionados preenchimentos, fios, implantes e outros tratamentos realizados na área, além de condições clínicas como gestação, quando aplicável.

“O histórico não é um detalhe burocrático. Ele ajuda a definir se o tratamento é indicado, qual região pode ser abordada e quais parâmetros devem ser considerados. Em alguns casos, também indica a necessidade de avaliação médica ou de outro profissional”, explica a fisioterapeuta.

Sinais de alerta

Vermelhidão discreta, sensibilidade e inchaço leve podem ocorrer após alguns protocolos, mas a evolução deve ser acompanhada. Dor intensa ou progressiva, bolhas, queimaduras, perda persistente de sensibilidade, fraqueza muscular, assimetria importante, inchaço que piora e sinais de infecção exigem contato com o serviço responsável e avaliação profissional.

“Diante de um sintoma intenso ou que piora, não é recomendado esperar vários dias para ver se desaparece. Registrar quando o sinal começou, fotografar a área e buscar orientação ajuda a identificar a reação e definir a conduta adequada”, orienta Mariana.

Para a especialista, o principal critério de escolha não deve ser apenas a promessa de um procedimento sem agulhas. “A pergunta mais importante é se o tratamento é adequado para aquela pessoa, naquela região, com aquele equipamento e com um protocolo compatível com seu objetivo e suas condições de saúde.”

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