sexta-feira, 13 de março de 2026

Três gerações faturando milhões: Skyler se destaca no setor de moda masculina com mais de 400 lançamentos por temporada

 

   Com quase 30 anos de atuação, a rede segue em crescimento com receita anual superior a R$78 milhões

Nos últimos anos, a moda masculina ganhou protagonismo no Brasil, impulsionada por mudanças no comportamento de consumo e pela aceleração dos ciclos de produto. Segundo dados da Kings Research, o segmento cresce a um CAGR de 6,89% ao ano, consolidando o país como o oitavo maior mercado mundial em faturamento. Nesse contexto de expansão e amadurecimento do setor, a Skyler se consolida como exemplo do movimento, uma vez que alcançou um faturamento anual superior a R$ 78 milhões em 2025, e inicia 2026 com crescimento de 9,09% na receita. Atualmente, a marca opera 67 unidades em todo o país, entre lojas físicas e um e-commerce integrado, modelo que amplia o alcance da rede.

Esse posicionamento é resultado de uma construção iniciada em 1997, quando a Skyler foi fundada em Fortaleza (CE) por Emílio Guerra e Antonio Guerra, filho e pai. Desde então, a empresa apostou em um modelo de negócios baseado em consistência operacional e entendimento do consumidor brasileiro. Com o passar dos anos, a marca ampliou seu mix de produtos, estruturou o franchising e ganhou escala, mantendo o foco em moda masculina de qualidade, atualizada e alinhada às demandas do mercado.

À medida que o setor passou a operar com ciclos mais curtos e maior exigência por novidade, a Skyler intensificou os investimentos em planejamento de coleção e gestão de sortimento. Como resultado, a rede passou a trabalhar com um portfólio dinâmico, lançando mais de 400 novos produtos por temporada. “Nossa operação acompanha o ritmo do mercado e do cliente. Por isso, trabalhamos com peças versáteis, adequadas a diferentes cenários do dia a dia, mas que também integram as tendências do nicho”, afirma Emílio Guerra, CEO da Skyler.

Paralelamente à estratégia de produto, a Skyler se diferencia pela dinâmica de gestão familiar. O negócio reúne três gerações atuando de forma integrada na condução da rede. Além de Emílio Guerra, seu pai, Antonio Guerra, e sua filha, Beatriz Guerra, participam ativamente da operação. Essa convivência entre diferentes visões contribui para decisões mais equilibradas, unindo experiência, inovação e leitura de novos hábitos de consumo.

Como reflexo dessa gestão multigeracional, a marca consegue dialogar com públicos diversos sem perder identidade. Ao mesmo tempo em que preserva seus pilares, a Skyler acompanha a evolução do homem contemporâneo, que busca versatilidade, praticidade e estilo. Nesse sentido, a integração entre lojas físicas e e-commerce fortalece a experiência de compra e amplia os pontos de contato com o consumidor.

Diante desse movimento, a Skyler inicia 2026 com fortalecimento do posicionamento de marca e previsão de lançamento de uma nova coleção, alinhada às principais tendências da moda masculina. “Nosso foco sempre foi crescer com consistência, mantendo proximidade com o cliente e eficiência na operação. Esse cuidado sustenta nossa trajetória e prepara a marca para os próximos ciclos de expansão”, destaca Emílio.

Prioridade 10 alcança receita de R$130 milhões no Rio Grande do Sul e consolida liderança na região

 


Somando 100 lojas entre os três estados, a franquia se destaca com proposta de itens variados até R$30

 

Em um ambiente econômico marcado pela cautela do consumidor, pela reorganização dos orçamentos familiares e pela busca crescente por alternativas de compra mais acessíveis, o varejo de preços populares tem assumido papel central nas decisões de consumo. Uma pesquisa recente da Harris Poll, empresa americana de análise de dados de mercado, aponta que 43% dos consumidores planejam migrar para produtos de menor preço e 26% pretendem trocar de varejista em busca de economia, movimento que favorece redes com modelos enxutos e de alta eficiência operacional.

É nesse cenário que a Prioridade 10 consolida seu destaque no Sul do Brasil. Somente no Rio Grande do Sul, estado que concentra a maior operação da rede, o faturamento alcançou aproximadamente R$ 130 milhões em 2025. No total, a franquia conta com 100 lojas ativas nos três estados da região.

“O consumidor mudou, está mais atento ao preço e ao valor real do que compra. Nosso modelo conversa diretamente com esse novo comportamento”, afirma Rogério Zorzetto, CEO e fundador da Prioridade 10. “Desde o início, pensamos a marca para ser acessível, mas sem deixar de lado a qualidade e variedade dos itens”, completa.

O Rio Grande do Sul lidera em número de unidades, com 52 lojas, além de apresentar diversas cidades com potencial para receber novas operações da marca. Santa Catarina aparece na sequência, com 32 unidades, enquanto o Paraná soma 16 pontos da rede e vem se destacando pelo ritmo acelerado de crescimento e desempenho acima da média nacional do varejo. “O Paraná tem mostrado uma maturidade muito rápida, tanto em vendas quanto na aceitação do formato. É um estado que continua no nosso radar de expansão”, destaca Zorzetto.

A presença consolidada nos três estados do Sul, região onde a Prioridade 10 nasceu, reforça uma estratégia de crescimento estruturada e gradual. “Nós crescemos com responsabilidade, olhando muito para o franqueado e para a sustentabilidade da operação. Antes de pensar em novos mercados, garantimos que cada loja esteja bem-posicionada e com um potencial de crescimento positivo”, explica o CEO.

O desempenho da rede é sustentado por um mix de produtos alinhado às demandas atuais do consumidor. Em todos os estados do Sul, o setor de vestuário lidera as vendas, representando mais de 30% do faturamento total. Em seguida aparecem as categorias de utilidades domésticas e brinquedos. O segmento pet também registra expansão consistente na região.

Outro pilar do crescimento está na estratégia de interiorização. A Prioridade 10 tem ampliado sua presença em cidades de pequeno e médio porte, levando varejo organizado a regiões com menor oferta de grandes redes. Segundo o executivo, existe uma demanda reprimida muito forte fora dos grandes centros, que é suprida rapidamente com a chegada de empreendimentos como a Prioridade 10.

Para os próximos ciclos, a expansão segue concentrada no fortalecimento da operação regional. A rede avalia novas oportunidades no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, mantendo um ritmo de crescimento planejado. “Nossa prioridade é crescer junto com quem já está na rede. Esse modelo de proximidade é o que nos trouxe até aqui e é o que vai sustentar os próximos passos”, conclui Zorzetto.

Eles ingressaram no franchising durante a pandemia e hoje faturam mais de R$ 36 milhões por ano no setor de importações




A Asia Source iniciou sua expansão em um período de risco para muitas empresas e, ao contrário do esperado, cresceram exponencialmente fechando mais de 80 contratos em 6 meses

 

Quando a pandemia redesenhou as cadeias globais de suprimentos, o comércio exterior manteve seu protagonismo, ainda que sob novas exigências. Em 2020, a China respondeu por 21,9% das importações brasileiras, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), consolidando-se como principal origem das compras externas do país. O período também marcou a ampliação da presença chinesa em setores de maior complexidade, como máquinas e equipamentos, produtos químicos, materiais elétricos e bens de tecnologia, um movimento que indicava continuidade da demanda, mesmo em um cenário de instabilidade.

Foi a partir dessa leitura que a Asia Source Brasil estruturou sua entrada no franchising. Fundada em 2019 como uma gestora de projetos de importação e exportação, a empresa iniciou sua expansão em março de 2020, quando o mercado ainda demonstrava cautela em relação a operações com fornecedores asiáticos. “Naquele momento, havia muito receio e pouca informação qualificada circulando. O que percebemos é que as importações não haviam parado: elas apenas passaram a exigir um nível maior de análise, planejamento e controle”, afirma Luis Muller, fundador da empresa.

Em apenas seis meses após a decisão, a rede fechou mais de 80 contratos, impulsionada por um modelo que reposiciona a importação como um projeto financeiro estruturado. Antes de qualquer operação, a franqueadora conduz uma etapa de consultoria que envolve diagnóstico do produto, estudo de viabilidade, análise tributária e definição do custo real da mercadoria nacionalizada. “O empresário precisa saber exatamente quanto aquele produto vai custar quando chegar ao Brasil e qual margem ele pode trabalhar. Sem isso, a importação deixa de ser oportunidade e vira risco”, explica Muller.

Na prática, o franqueado atua como gestor comercial e consultor local, responsável por identificar empresas com potencial importador, conduzir as negociações iniciais e acompanhar o cliente ao longo do projeto. Toda a base técnica e operacional é centralizada na franqueadora. “O franqueado não precisa ser um especialista em comércio exterior. Ele entra em um ecossistema que já possui fornecedores, simula cenários financeiros e executa a operação com método único e exclusivo. Isso encurta a curva de aprendizado e dá segurança para crescer”, detalha o fundador.

A execução das importações é conduzida de forma integrada. A Asia Source mantém equipes próprias na China e nos Estados Unidos, responsáveis pela prospecção, auditoria, homologação e inspeção de fábricas. A gestão inclui ainda frete internacional, acompanhamento logístico, documentação, desembaraço aduaneiro e entrega final.

Outro fator decisivo para a consolidação da rede foi a diversificação da carteira de projetos. Autopeças para carros, motos e caminhões, pneus, equipamentos para academias, máquinas industriais, maquinário pesado, produtos para o agronegócio, ferramentas para a construção civil, casa container, banheiras e vinhos são alguns dos itens que concentram a maior recorrência. Ao mesmo tempo, a empresa mantém abertura para atender diferentes segmentos conforme a demanda. “A diversificação permite que o franqueado acompanhe os movimentos naturais do mercado e mantenha constância de faturamento ao longo do ano”, observa.

Integrante do Grupo 300 Franchising, maior ecossistema de franquias da América Latina, a Asia Source se posiciona como a primeira rede de importação do mercado brasileiro. O formato de microfranquia, com estruturas físicas enxutas e custos operacionais reduzidos, favorece o controle financeiro das unidades e a escalabilidade do negócio. A rede encerrou 2025 com faturamento de R$ 36 milhões, soma atualmente 152 unidades em operação no país, sendo 61 inauguradas apenas no último ano, e projeta alcançar R$ 52 milhões em 2026.

Além da consultoria de importação multissetorial, a empresa desenvolveu soluções especializadas, como a SKY Import, voltada à importação de veículos de luxo, e programas de imersão internacional, incluindo missões empresariais à China e visitas a grandes feiras globais.

De acordo com Luis, a meta da Asia Source é movimentar R$ 2,2 bilhões em negociações até 2033. “Nosso objetivo é consolidar a franquia como uma plataforma completa de comércio exterior, capaz de apoiar o empresário desde a decisão até a execução, sempre com clareza financeira e controle operacional”, conclui o fundador.

 

 

Sobre a Asia Source:

A Asia Source é o maior ecossistema de comércio exterior do Brasil. Fundada em 2019, a franquia atua com o objetivo de ser um ponto de convergência entre empresas nacionais e o comércio internacional, oferecendo consultoria e gestão de importação. Com sede na China, a rede já conta com 152 unidades, e atua com segmentos variados, que vão de autopeças a itens para indústrias diversas.

Raio-x:

Investimento inicial: a partir de R$49 mil

Faturamento médio mensal: R$30 mil

Prazo de retorno: 3 a 12 meses


quarta-feira, 11 de março de 2026

Os golpes com IA estão cada vez mais inteligentes. Como se precaver?

 


De vídeos falsos a chamadas de vídeo manipuladas, a nova geração de golpes digitais explora tecnologias de inteligência artificial para enganar vítimas com alto grau de realismo

 

Em poucos segundos, um vídeo pode mostrar um empresário recomendando um investimento milagroso. Uma celebridade pode aparecer pedindo doações urgentes. Ou até um “chefe” pode surgir em uma chamada de vídeo pedindo uma transferência imediata. O problema é que, muitas vezes, nada disso é real.

 

A inteligência artificial elevou o nível das fraudes digitais a um novo patamar. O que antes era um e-mail mal escrito ou uma mensagem suspeita hoje pode vir na forma de vídeos, vozes clonadas e perfis extremamente convincentes. Para especialistas, estamos entrando em uma fase em que distinguir o real do fabricado exige cada vez mais atenção.

 

Os números mostram que o fenômeno já é global. No Brasil, as fraudes com deepfakes e identidades sintéticas cresceram 126% entre 2024 e 2025, segundo o relatório Identity Fraud Report 2025–2026. O país concentra quase 39% de todos os deepfakes detectados na América Latina.

 

E não se trata apenas de tecnologia avançada, como também de escala. Um levantamento da empresa de cibersegurança Kaspersky identificou 309 milhões de tentativas de phishing bloqueadas no Brasil em um ano, o equivalente a 588 ataques por minuto.

 

O impacto econômico também é significativo. Dados do DataSenado indicam que 24% dos brasileiros adultos foram vítimas de golpes digitais nos últimos 12 meses, gerando perdas estimadas em R$ 10,1 bilhões em 2024, segundo a Febraban.

 

Para quem acompanha de perto o avanço do audiovisual e da tecnologia, o cenário é claro: a inteligência artificial se tornou uma ferramenta poderosa tanto para criar quanto para enganar. “Hoje qualquer pessoa consegue gerar imagens, vídeos e vozes extremamente convincentes. A tecnologia não é mais restrita a grandes estúdios ou laboratórios. Isso abre oportunidades criativas enormes, mas também cria um ambiente perfeito para fraudes sofisticadas”, explica Náthan Ximenes, diretor criativo e estrategista de comunicação digital, fundador da NTX Group.

 

Grande parte dos golpes atuais usa deepfakes, tecnologia que permite manipular imagens ou vozes para simular pessoas reais. Em muitos casos, criminosos utilizam rostos de figuras públicas ou executivos de empresas para ganhar credibilidade rapidamente.

 

O fenômeno não para de crescer. Um estudo do Observatório Lupa mostrou que conteúdos falsos gerados com inteligência artificial aumentaram 308% entre 2024 e 2025 no Brasil, que circulam principalmente em redes sociais e aplicativos de mensagens. Muitas vezes, aparecem como anúncios patrocinados ou vídeos virais.

 

Náthan observa que a sofisticação dessas produções pode confundir até usuários experientes. “Estamos chegando a um ponto em que, para um público leigo, é praticamente impossível identificar um vídeo falso apenas olhando rapidamente. Pequenos detalhes técnicos como repetição de elementos na imagem ou inconsistências no movimento ainda podem denunciar a manipulação, mas eles estão ficando cada vez mais sutis”, afirma.

 

O especialista aponta que o modelo das fraudes também mudou. Antes, o objetivo era atingir muitas pessoas com golpes simples. Agora, a estratégia é apostar em ataques mais elaborados e direcionados. Entre os golpes mais comuns impulsionados por IA estão:

- Vídeos falsos de celebridades promovendo investimentos ou plataformas financeiras;

- Clonagem de voz para simular familiares ou executivos;

- Anúncios de emprego ou renda extra com depoimentos fabricados;

- Perfis falsos que replicam influenciadores ou especialistas;

- Reuniões virtuais manipuladas com deepfake para autorizar transferências.

 

Apesar da sofisticação das fraudes, algumas práticas continuam sendo fundamentais para reduzir riscos. Náthan destaca que o primeiro passo é desenvolver uma postura mais crítica diante do conteúdo digital. “A regra número um é desconfiar de qualquer mensagem que pressione por urgência ou dinheiro. Golpistas exploram emoção e pressa. Quando a pessoa para, verifica e cruza informações, a chance de cair em fraude diminui drasticamente”, explica.

 

Entre as recomendações mais comuns do especialista estão:

Verificar a fonte: Antes de confiar em um vídeo ou mensagem, confirme se ele aparece também nos canais oficiais da pessoa ou empresa citada.

Desconfiar de promessas fáceis: Ofertas de investimento com ganhos garantidos ou “oportunidades exclusivas” são frequentemente usadas como isca.

 

Checar detalhes visuais: Em vídeos manipulados, podem surgir distorções sutis em mãos, sombras, movimentos faciais ou repetição de elementos.

Confirmar pedidos financeiros por outro canal: Se um chefe ou familiar pedir dinheiro por mensagem ou vídeo, confirme por telefone ou pessoalmente.

Evitar clicar em links recebidos por redes sociais ou mensagens: Muitos golpes começam com páginas falsas que imitam sites legítimos.

 

A tecnologia que permite criar fraudes sofisticadas é a mesma que está revolucionando setores inteiros da economia, do audiovisual à publicidade, do marketing ao entretenimento. Para o especialista, o ponto central não é combater a inteligência artificial, mas aprender a conviver com ela. “A IA não é vilã. Ela é uma ferramenta poderosa. O problema é quando pessoas mal-intencionadas usam essa tecnologia para manipular confiança. Por isso, educação digital e pensamento crítico serão cada vez mais importantes nos próximos anos”.

 

Em um mundo onde imagens, vozes e histórias podem ser geradas em segundos, a capacidade de questionar o que vemos talvez seja a habilidade mais valiosa da era digital.

Robôs assumem atividades de alto esforço físico enquanto profissionais migram para operação e supervisão de sistemas

 


Automação industrial avança no Brasil e muda o tipo de trabalho nas linhas de produção

 

O avanço da automação nas fábricas ainda costuma ser tratado como sinônimo de substituição de trabalhadores. No debate público, robôs aparecem muitas vezes como ameaça ao emprego. No chão de fábrica, no entanto, a lógica que tem guiado boa parte das decisões industriais é outra: preservar a integridade física de quem trabalha ali.

 

Dados recentes mostram que a indústria brasileira continua gerando vagas mesmo com a modernização tecnológica. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o setor industrial registrou saldo positivo de mais de 400 mil empregos formais em somatória de 2023 e 2024. Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que a indústria mantém cerca de 8,5 milhões de pessoas ocupadas no país, com crescimento do emprego industrial nos últimos anos, um movimento que ocorre ao mesmo tempo em que fábricas investem em automação e modernização produtiva.

 

É nesse contexto que o engenheiro mecatrônico Jaime Galvez, especialista em automação industrial e com décadas de atuação em projetos dentro da indústria automotiva, traz uma visão que costuma surpreender fora das plantas industriais. Para ele, a função do robô não é substituir o trabalhador qualificado, mas assumir tarefas que o corpo humano não deveria repetir por anos.

 

Um exemplo clássico que aparece em uma etapa comum de linhas automotivas é o a aplicação de rebites em série, por exemplo. “É uma atividade extremamente repetitiva. Em cerca de alguns meses muitos funcionários já começam a apresentar sinais de LER (lesões por esforço repetitivo). A solução encontrada foi automatizar o processo. O robô passou a executar a tarefa contínua, enquanto os profissionais migraram para funções de monitoramento e operação do sistema”, explica Galvez.

 

Outro caso envolve o manuseio de componentes pesados em determinadas fases da montagem. A atividade exigia levantar peças com peso significativo ao longo de toda a jornada de trabalho. “Com o tempo começaram a aparecer problemas na coluna, nas articulações. Não fazia sentido insistir nisso quando a tecnologia pode assumir esse esforço físico”, afirma o engenheiro.

 

Segundo ele, esse tipo de decisão dentro da indústria costuma ser menos financeira do que se imagina. Em muitos casos, substituir uma operação humana por robótica exige investimento elevado em equipamentos, integração e manutenção. “Hoje, em diversas situações, o robô ainda custa mais caro do que manter a operação manual. A escolha acontece porque segurança e saúde ocupacional passaram a ser prioridade nas plantas modernas”.

 

Esse movimento acompanha uma transformação mais ampla no perfil do trabalho industrial. À medida que sistemas automatizados entram em operação, cresce a demanda por profissionais que operam, programam e supervisionam essas tecnologias. O trabalho muda de natureza, mas não desaparece.

 

Para Galvez, a principal distorção no debate sobre automação está na forma como a tecnologia é interpretada fora do ambiente industrial. “O robô não chega para substituir o trabalhador. Ele chega para substituir um tipo de trabalho que desgasta o corpo humano ao longo do tempo”.

 

A modernização das fábricas brasileiras, cada vez mais conectadas a sistemas de automação e robótica desenvolvidos por fabricantes globais, tendem a aprofundar essa transformação. O desafio, segundo Galvez, passa menos por evitar a tecnologia e mais por preparar trabalhadores para as funções que surgem a partir dela.

 

Essa é a realidade que raramente aparece fora das plantas industriais: em muitas linhas de produção, a automação não representa o fim do trabalho humano, e sim o fim de tarefas que historicamente adoeciam quem as executava.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Academias viram novo território de expansão para conveniência autônoma

 

Com crescimento acelerado e foco em praticidade, Honest Market BR adapta mix de produtos ao mercado fitness e projeta dobrar o número de unidades em 2026

 

A conveniência se consolida como uma das principais tendências de consumo para os próximos anos. No Brasil, o mercado de lojas de conveniência movimentou cerca de US$ 35,4 bilhões em 2025 e mantém trajetória de crescimento, com projeção de atingir US$ 46,3 bilhões até 2034. A expansão é impulsionada, sobretudo, pelo avanço da tecnologia e pela ampliação dos formatos de varejo de proximidade. Os dados são do relatório Brazil Convenience Stores Market, da IMARC Group, consultoria global especializada em estudos setoriais e análise de mercado.

É nesse cenário promissor que a Honest Market BR, rede brasileira de minimercados autônomos, vem ampliando sua atuação em academias, uma vertical que ganha cada vez mais relevância dentro da estratégia de expansão da empresa. O modelo atende a um público que valoriza praticidade, alimentação funcional e consumo imediato, com um mix de produtos adaptado ao ambiente fitness, incluindo snacks proteicos, bebidas funcionais, refeições rápidas, itens saudáveis e opções para o pré e pós-treino.

Em 2025, a Honest inaugurou 17 unidades dentro de academias, e a projeção para 2026 é dobrar esse número, acompanhando o crescimento do setor e a demanda por soluções de conveniência integradas à rotina de bem-estar. O desempenho da vertical também se reflete nos resultados financeiros, e no segundo semestre de 2025, a rede registrou crescimento de 64,5% no faturamento em comparação com o primeiro semestre do mesmo ano. No mesmo período, o número de lojas aumentou 71%, o que mostra o ritmo acelerado de expansão e a consolidação do modelo em diferentes frentes.

Segundo Murilo Specchio, CEO da Honest Market BR, a adaptação do portfólio ao perfil do consumidor é um dos principais diferenciais do modelo. “O ambiente da academia pede um consumo rápido, funcional e alinhado ao estilo de vida de quem está ali. Por isso, trabalhamos com um mix pensado especificamente para esse público, que busca praticidade sem deixar de lado escolhas mais saudáveis”, afirma.

Ainda de acordo com Murilo, a expansão da vertical fitness está diretamente conectada às mudanças no comportamento do consumidor. “A conveniência deixou de ser apenas proximidade geográfica e passou a ser sobre estar presente nos momentos certos do dia a dia. As academias são espaços estratégicos, com fluxo recorrente e consumidores altamente engajados, o que torna esse modelo ainda mais relevante, consolidando o consumo fitness como parte da rotina”, finaliza.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

A reconfiguração das vendas na nova economia de dados

 


NRF, novos protocolos do Google e a virada global que está redefinindo como empresas conquistam clientes

 

Mesmo em um mercado ainda pressionado por juros e crescimento contido do Produto Interno Bruto, o Brasil atravessa uma transformação estrutural na forma de vender produtos e serviços. O que mudou não foi apenas o canal, mas a lógica. Estratégias que durante anos sustentaram crescimento passaram a perder eficiência, enquanto dados, tecnologia e disciplina de execução assumiram papel central nas decisões comerciais. Ampliar alcance nunca foi tão viável. Transformar esse alcance em resultado financeiro, no entanto, tornou-se mais complexo.

 

Projeções do Instituto Brasileiro de Estudos de Varejo (IBEVAR) e da FIA Business School, baseadas em dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE, indicam crescimento do comércio varejista no início de janeiro de 2026. As expectativas apontam para um aumento de 0,06% no varejo restrito e de 0,77% no varejo ampliado em comparação ao mês anterior. A Confederação Nacional da Indústria projeta crescimento próximo de 1,8% para o PIB brasileiro em 2026, com indústria e serviços concentrando a maior parte da tração, o que ajuda a explicar por que eficiência passou a importar mais do que expansão pura de volume.

 

No ambiente online, a mudança de patamar é ainda mais clara. A Associação Brasileira de Comércio Eletrônico projeta que o e-commerce brasileiro tenha superado a marca de R$ 220 bilhões em 2025, mantendo ritmo de crescimento de dois dígitos pelo terceiro ano consecutivo. O avanço é sustentado pela digitalização acelerada do consumo, pela sofisticação no uso de dados e pela consolidação do Pix como meio de pagamento dominante nas transações online, segundo dados do Banco Central.

 

Entre micro e pequenas empresas, a transformação deixou de ser silenciosa. Informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que o volume transacionado digitalmente por esse grupo multiplicou-se nos últimos cinco anos, refletindo a incorporação definitiva do comércio eletrônico como parte da estratégia operacional. O digital deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica de permanência no mercado.

 

A virada vai além da digitalização. Muitas empresas ampliaram canais, investiram em tecnologia e ganharam escala, mas passaram a conviver com margens menores e decisões menos claras. Crescer deixou de ser sinônimo de operar melhor. Na nova economia, o que faz diferença é a capacidade de transformar dados em escolhas práticas no dia a dia do negócio. Na prática, organizações acumulam relatórios, dashboards e indicadores, mas seguem tomando decisões por hábito ou intuição, o que gera custo, ruído interno e pouca vantagem competitiva real.

 

Essa mudança ficou evidente nos debates da NRF 2025, maior evento global de varejo. O foco deixou de ser persuasão em escala. A discussão passou a girar em torno de engenharia de vendas, com menos improviso e mais previsibilidade. Inteligência artificial aplicada à jornada de compra, unificação de dados e abandono das métricas de vaidade dominaram as conversas. Ao mesmo tempo, as atualizações recentes do protocolo mundial do Google alteraram critérios de relevância, distribuição de conteúdo, desempenho de mídia e custo de aquisição. Estratégias que funcionavam até pouco tempo atrás passaram a perder eficiência.

 

Para aprofundar nessas mudanças o Mercado & Opinião promove, no dia 24 de fevereiro, um jantar em São Paulo. O encontro reúne empresários, investidores e executivos para discutir não apenas como vender mais, mas como vender melhor diante das novas regras do jogo. A proposta é partir dos principais insights globais apresentados na NRF e traduzi-los para a realidade da operação brasileira, analisando impactos concretos na rotina comercial, nos custos de aquisição e na relação com o cliente.

 

“O erro mais comum hoje é tentar resolver um problema estrutural com ajustes pontuais. A nova economia exige método, leitura estratégica e disciplina de execução”, pontua Marcos Koenigkan, fundador do Mercado & Opinião, Já para Paulo Motta, empresário e investidor, dados não substituem decisão, mas expõem com clareza onde a empresa perde eficiência e onde ainda existe espaço real de crescimento. “O mercado deixou de penalizar quem reduz volume e passou a fazê-lo com quem opera sem compreender seus próprios números”, declara.

 




Para empresas mais tradicionais, o desafio envolve redesenhar canais de relacionamento e modelos de gestão em um ambiente no qual o digital impõe novos padrões de custo de aquisição, retenção e previsibilidade de receita. Para lideranças e equipes comerciais, cresce a necessidade de domínio de métricas como taxa de conversão, cancelamentos, ticket médio digital e retorno sobre investimento. Indicadores baseados apenas em esforço cedem espaço a parâmetros efetivos de resultado. Vendas deixaram de ser um ato isolado e passaram a operar como um sistema integrado.

 

No Brasil, essa reorganização não é passageira. Trata-se de uma mudança profunda na dinâmica de consumo e competição. A pergunta já não é se as empresas coletam informações, mas se esses dados estão ajudando a tomar decisões melhores ou apenas confirmando escolhas antigas. O mercado já deixou claro quem conseguiu se adaptar e quem ficou esperando que vender continuasse funcionando como antes.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Nascido em família de caminhoneiros, ele fundou a primeira franquia de importação do mercado e hoje fatura mais de R$36 milhões por ano


 


Criada por Luis Muller, a Asia Source ingressou no franchising semanas antes do lockdown e pretende movimentar mais de R$2,2 bilhões em negociações até 2033

 

Durante muito tempo, o comércio exterior no Brasil pareceu um território burocrático e restrito a grandes empresas. Pequenos e médios empresários, mesmo dependentes de insumos importados, enfrentavam falta de informação, insegurança operacional e ausência de previsibilidade tributária. Foi nesse cenário que surgiu a Asia Source, fundada em janeiro de 2019, com a proposta de estruturar a importação como um projeto técnico e acessível. Parte do Grupo 300 Franchising, maior ecossistema de franquias da América Latina, o empreendimento atua conectando empresas brasileiras a fornecedores globais por meio de análise e gestão especializada.

Criada por Luis Muller, a empresa se consolidou como a primeira franquia de importação do mercado brasileiro e alcançou, em 2025, um faturamento de R$ 36 milhões, com projeção de R$ 52 milhões para 2026. O modelo de negócio, hoje replicado em mais de 150 unidades, nasce diretamente da vivência prática do fundador com logística, transporte e comércio internacional.

Luis nasceu em uma família formada por caminhoneiros, na cidade de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, considerada a maior fronteira rodoviária de movimentação de caminhões do Brasil. Pai, avô e tio atuaram nas estradas, inserindo desde cedo no cotidiano familiar temas como prazos, compromissos e negociação. Essa origem influenciou sua forma de enxergar negócios e relações comerciais, mesmo sem seguir a mesma profissão.

O contato com o comércio exterior ocorreu de maneira progressiva. Atuando em uma região estratégica para o fluxo de cargas, Luis passou a compreender a dinâmica das importações ainda jovem. A mudança para Santa Catarina, em 2009, ampliou esse repertório ao aproximá-lo do ambiente portuário, dos navios e dos contêineres, aprofundando sua leitura sobre cadeias globais de suprimentos. Esse conhecimento ganhou perspectiva estratégica em 2016, durante uma viagem à China, quando teve contato direto com a economia local e com a cultura empresarial do país.

Durante esse período, a mentalidade fortemente orientada para vendas, a versatilidade nas negociações e a disposição constante para inovar e adaptar produtos às necessidades do cliente chamou a atenção do executivo. A busca por soluções práticas, desde tecnologias simples até processos mais complexos, revelou um mercado dinâmico e altamente orientado à execução. “O chinês é extremamente empreendedor, nunca perde negócio e sempre encontra uma forma de se adaptar ao cliente”, afirma Luis.

A experiência evidenciou uma lacuna no mercado brasileiro: a ausência de um modelo estruturado que traduzisse a complexidade do comércio exterior em processos seguros e financeiramente previsíveis. A Asia Source nasceu para ocupar esse espaço, estruturada como uma gestora de projetos de importação e exportação que atua como um ecossistema completo, conectando empresários brasileiros a fornecedores globais, especialmente na Ásia, com foco em redução de custos, segurança operacional e previsibilidade.

O modelo operacional foi organizado em duas etapas complementares. A primeira é a consultoria de importação, voltada à tomada de decisão, que inclui diagnóstico do produto, pesquisa e homologação de fornecedores, análise tributária e um estudo de viabilidade detalhado, capaz de apresentar o custo real do produto nacionalizado. A segunda é a gestão de importação, responsável por toda a execução da operação, desde a habilitação do radar, contratação de fornecedores e fretes até o desembaraço aduaneiro e a entrega da mercadoria ao cliente.

Em março de 2020, poucas semanas antes do início do lockdown, a empresa ingressou no franchising adotando um modelo de microfranquias, estruturado para operar sem ponto físico e sem carga relevante de custos fixos. O formato favoreceu uma expansão acelerada e ofereceu ao franqueado um negócio de rápida maturação financeira, com payback curto e maior previsibilidade de retorno. O contexto da pandemia escancarou a dependência do mercado brasileiro de produtos chineses e impulsionou a busca pela importação direta. “Quem comprava de importadores passou a buscar a importação direta, e nós estávamos preparados para atender essa demanda”, acrescenta o fundador.

Com metas de longo prazo bem definidas, a Asia Source projeta movimentar mais de R$ 2,2 bilhões em negociações até 2033, apoiada em um modelo de microfranquias que elimina estruturas físicas, reduz custos fixos e sustenta um payback acelerado. A atuação se concentra em segmentos com alta recorrência e demanda estrutural, como autopeças, pneus, maquinário industrial, equipamentos para academias, agronegócio e construção civil, além de projetos específicos como a importação de veículos de luxo e a realização de missões empresariais internacionais.

 

Sobre a Asia Source:

 

A Asia Source é o maior ecossistema de comércio exterior do Brasil. Fundada em 2019, a franquia atua com o objetivo de ser um ponto de convergência entre empresas nacionais e o comércio internacional, oferecendo consultoria e gestão de importação. Com sede na China, a rede já conta com 152 unidades, e atua com segmentos variados, que vão de autopeças a itens para indústrias diversas.

 

Investimento inicial: a partir de R$49 mil

Faturamento médio mensal: R$30 mil

Prazo de retorno: 3 a 12 meses

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Camarote Marco Zero entra nos preparativos para o Carnaval do Recife

 


O camarote conta com open bar premium, atrações musicais internas, lounges confortáveis, segurança privada e acesso exclusivo pela Rua do Bom Jesus


Quem circula pelo Marco Zero, principal palco do Carnaval do Recife, já começa a perceber a dimensão da festa que se aproxima. Além da montagem do palco que receberá os maiores shows da folia, outra estrutura chama a atenção de quem passa pelo Recife Antigo: a do Camarote Marco Zero. Em ritmo acelerado, o espaço ganha forma no Palácio do Comércio e antecipa a grandiosidade de uma das experiências mais disputadas do carnaval recifense.

Confirmado para acontecer entre os dias 12 e 17 de fevereiro de 2026, o camarote recebe o público com a proposta de oferecer conforto, exclusividade e uma vista privilegiada para os shows que movimentam o Marco Zero durante o Carnaval. A experiência se firma como uma opção para quem deseja vivenciar a festa com mais comodidade, sem perder a conexão com a folia de rua.

A edição 2026 apresenta uma estrutura pensada para garantir uma experiência completa ao público, reunindo serviços e áreas de convivência distribuídas ao longo do prédio. O camarote conta com open bar premium, atrações musicais internas, lounges confortáveis, segurança privada e acesso exclusivo pela Rua do Bom Jesus. A estrutura inclui ainda bares em todos os andares, apresentações de três bandas por dia no térreo, telão interno com transmissão dos shows do palco principal, rooftop com terraço exclusivo e uma ampla varanda que contorna todo o prédio, oferecendo vista panorâmica da festa.

Além da experiência oferecida ao público, o Camarote Marco Zero também gera impacto direto na economia durante o período carnavalesco. Ao longo dos seis dias de evento, mais de 100 profissionais atuam diretamente nas operações das empresas envolvidas na realização do camarote. Já os empregos indiretos ultrapassam 500 postos de trabalho, envolvendo fornecedores de produção, logística, alimentação, confecção de abadás, equipes de segurança e bandas que se apresentam internamente.

O compromisso social e ambiental integra o projeto. Em parceria com a Prefeitura do Recife, por meio da Emlurb, o Camarote Marco Zero participa de um serviço estruturado de coleta seletiva, acompanhado pelo órgão municipal, que beneficia milhares de catadores cadastrados. A ação contempla dezenas de trabalhadores da Comunidade do Pilar, localizada no entorno do Recife Antigo, fortalecendo a inclusão social e a economia circular.

A experiência gastronômica do Camarote Marco Zero 2026 fica sob a responsabilidade do Moendo na Laje. Comandado pelo chef Rapha Vasconcellos, o espaço leva ao público um cardápio autoral durante todos os dias de festa, reunindo criatividade e identidade à proposta do camarote.

O Camarote Marco Zero 2026 conta com patrocínio master da Esporte da Sorte, que chega este ano com ativações especiais e experiências exclusivas, desenvolvidas em conjunto com a gestão do camarote para receber convidados e clientes de forma sofisticada. A edição também tem patrocínio de marcas como Amstel, Ballantine’s Sunshine, Eco Postos e Seja Beauty Beauty & Hair, além do apoio logístico da Pedragon Chevrolet. 

Os ingressos estão disponíveis no site oficial: www.camarotemarcozero.com.br.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Mais vendas, menos lucro: o custo da desorganização empresarial

 


Sem rotinas claras de gestão, empreendedores trabalham mais, decidem pior e aumentam o risco de fechar antes dos cinco anos

Empresas raramente quebram por falta de trabalho. O que compromete a sustentabilidade dos negócios, especialmente no Brasil, é crescer sem método. À medida que a empresa avança, decisões antes resolvidas na intuição passam a exigir processos, previsibilidade e disciplina. Quando essa transição não acontece, o improviso deixa de ser exceção e vira rotina. E o impacto aparece primeiro, no caixa.

Mesmo em um cenário de forte empreendedorismo, como no Brasil, os desafios de gestão seguem elevados. Dados divulgados em 2025, com base nas análises mais recentes do IBGE e do Sebrae, indicam que cerca de 60% das empresas brasileiras encerram as atividades antes de completar cinco anos. Esse número segue sendo citado em estudos atuais por refletir um padrão estrutural do ambiente de negócios no país, apesar do aumento expressivo na abertura de empresas.

Somente em 2025, o Brasil registrou milhões de novos pequenos negócios formalizados, com destaque para microempresas e MEIs, que representam a ampla maioria das aberturas. O dado reforça um paradoxo recorrente: empreender nunca foi tão acessível, mas sustentar o crescimento segue sendo o principal desafio. O problema, na maioria dos casos, não está na falta de mercado ou de demanda, mas na ausência de método para organizar a operação à medida que o negócio cresce.

Para Paulo Motta, empresário à frente de estruturas de crescimento acelerado como IMVester e The Networkers, rotina não tem relação com rigidez ou controle excessivo. “Rotina é clareza. Quando a empresa depende do improviso, tudo fica mais caro: Decidir demora, conflitos aumentam e o líder passa o dia apagando incêndios. Uma rotina bem desenhada permite escalar sem perder o comando”, afirma.

Na prática, a ausência de rotinas claras costuma se revelar de forma silenciosa. Herculano Souza da Cruz, consultor de negócios e especialista em finanças e operações, acompanha esse padrão em pequenas e médias empresas de diferentes setores. “A desorganização empresarial não resulta em falência imediata; ao contrário, manifesta-se progressivamente por meio da erosão das margens de lucro”, explica.

Práticas como a fusão de finanças pessoais com as corporativas, ausência de definição de pró-labore, aquisição de estoques sem critérios de rotatividade e decisões financeiras reativas são indicativas da carência de processos financeiros estruturados.

Este fenômeno é frequentemente observado: o aumento do faturamento e da carga de trabalho não se traduz em maior rentabilidade. “Sem uma rotina financeira estabelecida, o empreendedor celebra o crescimento das vendas enquanto o lucro diminui. O fluxo de caixa, nesse contexto, revela a realidade financeira da organização”, pontua Herculano.

Para mitigar esses desafios, é importante implementar processos financeiros sistematizados, manter a segregação entre as finanças pessoais e empresariais, estabelecer um pró-labore adequado e adotar decisões fundamentadas em análises financeiras e planejamento estratégico. Essas medidas são essenciais para assegurar a saúde financeira e o crescimento sustentável da empresa.

Para Paulo, o problema começa no topo. Líderes que não organizam a própria agenda e os próprios rituais de decisão acabam transmitindo caos para toda a estrutura. “Agenda caótica gera empresa caótica. A forma como o líder organiza o tempo define prioridades, ritmo e cultura. Isso se espalha rápido”, observa.

Rotina não engessa, ela libera. Libera tempo, energia e capacidade de decisão. Rotinas simples como fechamento financeiro periódico, leitura de indicadores, definição clara de papéis e revisão de processos reduzem retrabalho, evitam riscos e protegem o resultado.

À medida que a empresa cresce, essas rotinas também precisam evoluir. O que funciona em uma estrutura pequena pode virar gargalo em operações maiores. Revisar rituais de decisão, reuniões, fluxos financeiros e responsabilidades deixa de ser ajuste pontual e passa a integrar a estratégia.

Rotina organizacional não é hábito pessoal e sim método de gestão. Um instrumento pouco glamouroso, mas decisivo para sustentar crescimento, proteger o lucro e evitar que empresas fortes em faturamento se tornem frágeis no resultado.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Himaba celebra alta de bebê após cinco meses de internação


Cento e sessenta e um dias. Mais de cinco meses e toda a vida da pequena Jade Moura do Carmo da Silva até a alta hospitalar, no dia 16 de janeiro. A bebê, filha de Jenifer de Moura Santos Silva e Fernando Victor do Carmo da Silva, nasceu no Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba) e foi acompanhada de perto pela equipe da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. Diagnosticada como prematura extrema, com restrição de crescimento intrauterino, Jade apresentou complicações associadas à prematuridade, como dificuldades respiratórias, infecções, anemia e alterações cardíacas, pulmonares, oftalmológicas e endocrinológicas.

“Ela é nosso pequeno milagre. Tive complicações na gestação das gêmeas e identificaram a necessidade da cesárea para não perdermos as duas crianças e conseguir salvar a vida de, pelo menos, uma delas. A Jade era o bebê menor e achávamos que a perderíamos. Tivemos medo de ela não resistir também, porque passou por diversos procedimentos, cirurgia no coração e tratamos os olhinhos. Sair de alta é uma emoção sem fim”, relata a mãe.

O médico neonatologista e coordenador médico da UTIN do Himaba, Lincoln Bertholi Rohr, celebra a alta da criança e aponta que, durante a internação, a pequena teve necessidade de ventilação mecânica. Dentre os procedimentos de alta complexidade, Jade passou por uma cirurgia cardíaca para correção de canal arterial patente e por tratamento a laser para retinopatia da prematuridade.

"Bebês prematuros são sempre um grande desafio, em razão da condição clínica e das complicações decorrentes da prematuridade. Conseguimos vencer todas as etapas do tratamento, e é uma alegria para toda a equipe realizar essa alta. A Jade deixa o hospital em condições muito boas, respirando em ar ambiente, se alimentando pela via oral, ganhando peso e preparada para ter uma vida saudável”, celebra o médico.

O Himaba é atualmente o único hospital capixaba reconhecido com o selo nacional Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), sendo referência em prematuridade e no cuidado neonatal humanizado. Claudio Amorim, diretor-geral da unidade, destaca que “histórias como a da Jade nos lembram que o hospital não é apenas um lugar de tratamento, mas também de vínculos, humanidade e recomeços”. 


Confiança no processo

Para a mãe da Jade, o período de internação foi marcado por desafios, mas também por amadurecimento e fortalecimento da fé, já que ninguém espera vivenciar uma internação em UTIN. “Acreditei no processo, confiei em Deus e compreendi que nem tudo acontece do nosso jeito. Durante a internação da Jade, aprendi a viver um dia de cada vez. Às mães que estão passando por essa batalha com seus filhos, deixo a mensagem para não desistirem e acreditarem no processo. É preciso confiar, esperar e seguir vivendo um dia de cada vez”.

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